Uma representação artística de um buraco negro rodeado por um disco de acreção luminoso, com jatos de gás saindo do campo gravitacional.

Astrônomos detectaram pela primeira vez a variação de brilho de um quasar que existia apenas 850 milhões de anos após o Big Bang.

A descoberta representa o quasar variável mais antigo já observado e pode ajudar os cientistas a entender como buracos negros supermassivos conseguiram crescer tão rapidamente nos primeiros estágios do universo.

O estudo foi liderado por pesquisadores do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT e publicado na revista Nature Astronomy.

Quasares são alguns dos objetos mais luminosos do universo.

Eles surgem quando um buraco negro supermassivo está consumindo grandes quantidades de gás e poeira. À medida que esse material gira em alta velocidade antes de cair no buraco negro, ele aquece intensamente e libera enormes quantidades de energia.

Em alguns casos, um único quasar pode brilhar mais do que toda a galáxia que o abriga.

Os cientistas já haviam encontrado centenas de quasares no universo primordial, mas esta é a primeira vez que conseguiram observar diretamente as variações de brilho de um deles.

Segundo os pesquisadores, essas oscilações funcionam como uma ferramenta para estudar a estrutura do disco de acreção que alimenta o buraco negro.

Para realizar a descoberta, a equipe analisou cerca de 14 anos de observações do telescópio espacial NEOWISE, da NASA.

Os dados revelaram que o brilho do quasar varia de forma irregular ao longo do tempo, semelhante à chama de uma vela tremulando ao vento.

A análise mostrou que o objeto possui luminosidade equivalente a aproximadamente 12 trilhões de sóis e que suas variações podem atingir cerca de 20% desse valor.

O aspecto mais surpreendente da descoberta surgiu quando os pesquisadores reconstruíram a estrutura do disco de acreção ao redor do buraco negro.

Os modelos indicam que o disco possui uma forma extremamente fina e achatada, semelhante aos discos observados em quasares muito mais recentes.

Isso desafia algumas expectativas dos astrônomos.

Até então, acreditava-se que os primeiros buracos negros supermassivos do universo ainda estariam passando por fases caóticas de crescimento, cercados por estruturas mais espessas e turbulentas.

A presença de um disco tão organizado sugere que esse buraco negro já havia alcançado um estágio avançado de desenvolvimento muito cedo na história cósmica.

A descoberta amplia um dos maiores mistérios da astronomia moderna: como buracos negros supermassivos conseguiram atingir bilhões de massas solares em tão pouco tempo após o nascimento do universo.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que os períodos mais intensos e caóticos de crescimento desses objetos podem ter ocorrido ainda antes da época em que atualmente conseguimos observá-los.

No futuro, telescópios mais sensíveis poderão investigar períodos ainda mais antigos do universo para tentar identificar quando e como esses gigantes cósmicos começaram sua rápida evolução.



Sobre a Imagem: Astrônomos do MIT e de outras instituições detectaram a cintilação de um quasar desde os primórdios do universo. Esta ilustração artística representa um disco de acreção de quasar. Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech.

Fonte: https://news.mit.edu/2026/mit-astronomers-discover-earliest-known-flickering-quasar-0608


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