
Astrônomos observaram pela primeira vez detalhes da rotação de um disco protoplanetário ao redor da jovem estrela AB Aurigae e encontraram evidências de que planetas gigantes em formação estão alterando o movimento do material ao seu redor.
A descoberta foi realizada por uma equipe do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) e da Universidade de Bordeaux utilizando o instrumento SPHERE, instalado no Very Large Telescope (VLT), no Chile.
Discos protoplanetários são enormes estruturas de gás e poeira que cercam estrelas jovens e funcionam como verdadeiros berçários planetários.
É dentro deles que planetas, luas e outros corpos celestes se formam ao longo de milhões de anos.
AB Aurigae é uma estrela muito jovem, com aproximadamente 4 a 5 milhões de anos, localizada a cerca de 530 anos-luz da Terra.
Ela já era conhecida pelos astrônomos por possuir um dos discos protoplanetários mais complexos e intrigantes já observados.
Ao analisar o movimento dos grãos de poeira presentes no disco, os pesquisadores descobriram que grande parte da estrutura gira conforme previsto pelas leis da física.
No entanto, algumas regiões apresentam movimentos inesperados.
Essas anomalias indicam que algo está perturbando a dinâmica do disco.
Segundo os pesquisadores, a explicação mais provável é a presença de planetas gigantes ainda em processo de formação.
Os planetas recém-formados exercem influência gravitacional sobre o gás e a poeira ao redor, criando distorções, lacunas, braços espirais e regiões onde o movimento do material deixa de seguir o padrão esperado.
AB Aurigae já abriga um candidato confirmado a planeta gigante.
Conhecido como AB Aurigae b, ele possui cerca de nove vezes a massa de Júpiter e orbita a estrela a aproximadamente 93 unidades astronômicas de distância, mais de duas vezes a distância entre o Sol e Plutão.
Mas as novas observações sugerem que ele pode não estar sozinho.
Os cientistas identificaram outras regiões suspeitas dentro do disco que podem indicar a presença de protoplanetas ainda ocultos.
Uma delas está localizada a cerca de 30 unidades astronômicas da estrela e pode ser responsável por uma grande torção observada na estrutura do disco.
Outras regiões densas foram encontradas ainda mais distantes, entre 400 e 600 unidades astronômicas.
Além disso, os pesquisadores detectaram sombras em movimento projetadas sobre o disco.
Essas sombras parecem girar rapidamente e podem estar associadas a aglomerados de poeira ou até mesmo a planetas em formação próximos à estrela.
As observações também revelaram regiões brilhantes associadas a processos de acreção, quando gás e poeira são capturados por objetos em crescimento.
Essas áreas costumam ser consideradas fortes indícios da formação de gigantes gasosos.
Os resultados mostram que os discos protoplanetários podem ser muito mais dinâmicos e complexos do que os modelos atuais preveem.
Com observações cada vez mais detalhadas, os astrônomos esperam compreender melhor como planetas surgem e evoluem em torno de estrelas jovens.
AB Aurigae continua sendo um dos laboratórios naturais mais importantes para o estudo da formação planetária.
Sobre a Imagem: Astrônomos que estudam o disco protoplanetário ao redor de AB Aurigae mediram diretamente seu movimento pela primeira vez usando o instrumento SPHERE do Observatório Europeu do Sul. Créditos da Imagem: ESO.
Fonte: https://www.cnrs.fr/en/press/first-ever-live-observation-rotation-planetary-nursery

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