As cavernas foram um refúgio para os humanos nos tempos pré-históricos. Elas nos protegiam dos elementos, dos predadores e dos rivais, quando nossas únicas tecnologias eram paus, pedras, peles e fogo. Agora, à medida que avançamos para a exploração do espaço, as cavernas podem desempenhar um papel semelhante novamente, mas desta vez na Lua.

A Lua é um mundo hostil, cheio de perigos que ameaçam a vida dos astronautas que ousam pisar em sua superfície. Radiação cósmica e solar, meteoritos, grandes oscilações de temperatura e até mesmo material ejetado por impacto são alguns dos riscos que os exploradores lunares terão que enfrentar. Por isso, a ideia de construir uma base dentro de uma caverna lunar, onde os astronautas ganham proteção adicional contra o espesso teto rochoso acima, tem atraído a atenção de alguns países e agências espaciais.

As cavernas lunares não são como as que conhecemos na Terra. Elas são na verdade tubos de lava, formados quando a lava que fluía pela superfície da Lua começou a esfriar e formou uma crosta endurecida, mas a lava derretida continuou fluindo por baixo dela e eventualmente foi drenada, deixando um tubo vazio. Esses tubos de lava podem ter vários quilômetros de comprimento e centenas de metros de diâmetro, oferecendo muito espaço para trabalhar. Eles também têm algumas vantagens sobre a superfície lunar, como um ambiente de temperatura constante, que não varia entre os extremos de 127 graus Celsius (260 °F) e -173 °C (-280 °F) que ocorrem na superfície. Além disso, eles fornecem um escudo eficaz contra a radiação, que pode ser até 150 vezes mais poderosa do que na superfície da Terra, e contra os impactos e detritos de impacto, que podem danificar ou destruir equipamentos e estruturas.

Os tubos de lava lunares foram descobertos pela primeira vez em 2009, pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA, que encontrou centenas de “clarabóias” lunares, locais onde o teto de um tubo de lava desabou, criando uma abertura natural no tubo. Desde então, vários estudos têm sido realizados para investigar o potencial dessas estruturas para abrigar uma base lunar. Um dos mais recentes foi apresentado por Zhang Chongfeng, da Academia de Tecnologia de Voo Espacial de Xangai, em uma conferência na China. Zhang e seus colegas fizeram trabalho de campo em tubos de lava chineses para entender como usá-los na Lua. Eles descobriram que há semelhança suficiente entre os tubos de lava lunar e terrestre para que um seja análogo ao outro. Eles também propuseram uma missão de cinco anos, semelhante às missões do rover em Marte da NASA, para explorar Mare Fecunditatis, uma região vulcânica na Lua, durante uma travessia de 1.400 km (870 milhas). Ao estudar características vulcânicas como tubos de lava, cúpulas e canais, eles desenvolveriam uma compreensão mais abrangente da geologia regional da Lua. Eles também poderiam selecionar um local para uma base lunar.

A China não é a única interessada nos tubos de lava como bases. A ideia já existe há algum tempo, e outras nações e agências espaciais também têm planos para explorá-los. Por exemplo, a NASA também tem o programa chamado Artemis, que pretende levar os humanos de volta à Lua, e eventualmente construir uma base sustentável. Os tubos de lava podem ser uma opção viável para esse objetivo.

A exploração espacial e a política estão interligadas, e as nações que buscam o domínio do espaço têm suas próprias agendas e interesses. Mas há também uma dimensão científica e humana, que transcende as fronteiras e as rivalidades. A Lua é um laboratório natural para estudar a origem e a evolução do Sistema Solar, e também um trampolim para missões mais distantes, como Marte e além. Os tubos de lava podem ser um recurso valioso demais para ser ignorado, e podem abrir as portas para uma nova era de exploração e descoberta. Talvez, um dia, os humanos que se abrigarem nessas cavernas lunares possam olhar para o céu e se sentir conectados com seus ancestrais que fizeram o mesmo na Terra.

Fonte: https://www.universetoday.com/163371/chinese-astronauts-may-build-a-base-inside-a-lunar-lava-tube/

Sobre a imagem:

01: Imagem da cratera Mare Tranquillitatis. 

Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estadual do Arizona


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