
A Agência Espacial Europeia (ESA) aprovou oficialmente a missão ARRAKIHS, um novo observatório espacial que terá como principal objetivo investigar a formação das galáxias e testar modelos relacionados à misteriosa matéria escura.
Com lançamento previsto para 2030, a missão acaba de concluir importantes etapas de desenvolvimento e agora entra oficialmente na fase de construção.
O nome ARRAKIHS é uma sigla para “Analysis of Resolved Remnants of Accreted galaxies as a Key Instrument for Halo Surveys”, ou Análise de Remanescentes Resolvidos de Galáxias Acrecidas como Instrumento-Chave para Levantamentos de Halos.
Seu foco será observar uma das regiões mais difíceis de estudar no universo: os halos estelares que envolvem as galáxias.
Esses halos são compostos por estrelas extremamente tênues distribuídas ao redor das galáxias principais.
Embora quase invisíveis, eles guardam registros importantes sobre a história de crescimento dessas galáxias ao longo de bilhões de anos.
Segundo os cientistas, os halos preservam sinais de antigas fusões galácticas, interações gravitacionais e da influência exercida pela matéria escura.
O problema é que essas estruturas possuem brilho superficial muito baixo, tornando sua observação extremamente difícil com os telescópios atuais.
A missão ARRAKIHS foi projetada justamente para superar essa limitação.
O observatório será capaz de detectar estruturas extremamente fracas que permanecem praticamente invisíveis para outros instrumentos.
Ao mapear halos estelares em grande detalhe, os pesquisadores esperam reconstruir a história de formação de galáxias semelhantes à Via Láctea.
Mas um dos objetivos mais importantes da missão envolve a matéria escura.
Embora represente cerca de 85% de toda a matéria do universo, a matéria escura continua sendo um dos maiores mistérios da física moderna.
Ela não emite, absorve nem reflete luz, podendo ser detectada apenas por meio de seus efeitos gravitacionais.
Diferentes modelos teóricos preveem distribuições distintas de matéria escura ao redor das galáxias.
Essas diferenças afetam diretamente a estrutura dos halos estelares.
Por isso, observar essas regiões pode fornecer pistas importantes sobre qual modelo descreve melhor a realidade.
Pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, participam da missão desenvolvendo simulações computacionais avançadas que serão comparadas com os dados coletados pelo telescópio.
Segundo o astrônomo Matthieu Schaller, os resultados poderão revelar informações fundamentais sobre a natureza da matéria escura.
A missão reúne mais de 250 cientistas e engenheiros de diversos países.
O projeto é liderado pelo Instituto de Física da Cantábria, na Espanha, com participação de instituições da Áustria, Bélgica, Noruega, Portugal, Suécia, Suíça e outros parceiros internacionais.
Nos últimos anos, a equipe desenvolveu novas simulações cosmológicas, instrumentos científicos e sistemas de processamento de dados necessários para tornar a missão viável.
Também foram realizadas observações de teste utilizando uma câmera demonstradora instalada no Observatório Astrofísico de Javalambre, na Espanha.
Com a adoção oficial pela ESA, o ARRAKIHS passa agora para a fase final de construção.
Se tudo ocorrer conforme o planejado, o observatório será lançado em 2030 e abrirá uma nova janela para estudar regiões extremamente tênues do universo que permanecem praticamente inexploradas.
Os dados obtidos poderão ajudar os cientistas a compreender melhor como as galáxias evoluem e, possivelmente, revelar novas pistas sobre a verdadeira natureza da matéria escura.
Sobre a Imagem: Simulação ARRAKIHS das características de baixo brilho superficial no halo de uma galáxia espiral como a Via Láctea. Créditos da Imagem: Alex Camazón (IEEC) / AMC.
Fonte: https://phys.org/news/2026-06-esa-arrakihs-mission-eu-exploration.html

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