Imagem de Marte sendo atingido por um asteroide, mostrando seu solo vermelho e azul em um fundo espacial.

Marte pode ter escondido durante bilhões de anos um segredo surpreendente.

Novas análises de rochas estudadas pelo rover Curiosity sugerem que o Planeta Vermelho talvez tenha sido orbitado por uma terceira lua muito maior do que as duas pequenas luas que vemos atualmente.

Se a hipótese estiver correta, essa lua perdida teria sido grande o suficiente para gerar marés em antigos lagos marcianos.

Hoje, Marte possui apenas duas luas.

Fobos, a maior delas, mede cerca de 22 quilômetros de diâmetro.

Deimos é ainda menor, com aproximadamente 15 quilômetros.

Ambas possuem formatos irregulares e lembram mais asteroides capturados do que luas convencionais.

Nenhuma delas possui massa suficiente para provocar marés significativas.

Mas as evidências encontradas pelo Curiosity apontam para algo diferente no passado distante do planeta.

A possível descoberta começou na Cratera Gale, local onde o rover da NASA explora a superfície marciana desde 2012.

Bilhões de anos atrás, essa região não era um deserto seco.

Diversas evidências indicam que ali existiam lagos alimentados por rios que desciam das áreas mais elevadas.

Enquanto explorava uma região conhecida como Vera Rubin Ridge, o Curiosity registrou imagens detalhadas de rochas sedimentares que apresentavam padrões extremamente regulares.

Essas estruturas são conhecidas pelos geólogos como ritmitos.

Na Terra, formações semelhantes costumam ser associadas à ação repetitiva das marés.

As camadas aparecem organizadas em padrões que registram oscilações periódicas do nível da água.

Após analisar as imagens do rover, pesquisadores identificaram características muito parecidas com marcas de marés observadas em ambientes costeiros terrestres.

As camadas finas se repetem em intervalos regulares e apresentam agrupamentos que lembram ciclos de marés vivas e marés mortas.

Segundo os cientistas, essa organização é difícil de explicar apenas por vento, mudanças climáticas ou variações sazonais.

Caso realmente tenham sido produzidas por marés, surge uma questão inevitável.

O que estaria provocando essas oscilações?

Nem Fobos nem Deimos seriam capazes de gerar forças gravitacionais suficientes para produzir esse efeito.

Por isso, os pesquisadores propõem uma hipótese ousada.

Marte pode ter sido acompanhado por uma lua muito maior no passado.

Os cálculos sugerem que esse satélite precisaria ter pelo menos quinze vezes a massa de Fobos e orbitar relativamente próximo ao planeta.

Uma lua desse porte poderia provocar marés mensuráveis em lagos e possivelmente até em oceanos marcianos.

A ideia de uma lua perdida não é totalmente nova.

Modelos anteriores já sugeriram que Marte pode ter passado por ciclos de formação e destruição de luas ao longo de sua história.

Segundo essas teorias, grandes luas poderiam migrar lentamente em direção ao planeta devido às interações gravitacionais.

Ao se aproximarem demais, seriam destruídas pelas forças de maré de Marte, formando anéis de detritos que mais tarde dariam origem a novas luas menores.

Fobos e Deimos poderiam ser remanescentes desse processo.

Nesse cenário, a suposta lua responsável pelas marés registradas na Cratera Gale teria desaparecido há bilhões de anos, deixando apenas suas marcas preservadas nas rochas.

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores mantêm cautela.

Camadas sedimentares rítmicas podem surgir por diferentes processos geológicos.

Por isso, serão necessárias observações adicionais para confirmar se os padrões encontrados realmente foram produzidos por marés.

Uma possível ajuda pode vir da missão Martian Moons eXploration (MMX), da Agência Espacial Japonesa.

Prevista para ser lançada no final de 2026, a missão visitará Fobos e Deimos, coletará amostras da superfície e as trará para a Terra.

Os dados poderão ajudar os cientistas a entender a origem das luas marcianas e verificar se elas são fragmentos de um corpo muito maior.

Se a hipótese for confirmada, as rochas estudadas pelo Curiosity terão preservado um registro extraordinário.

Não apenas da presença de água em Marte, mas também da influência gravitacional de uma lua desaparecida há bilhões de anos.



Sobre a Imagem: Esta é uma representação artística de um grande impacto em Marte. Eventos como esse moldaram a superfície do planeta e podem ter influenciado sua evolução geológica e climática ao longo de bilhões de anos. Uma lua 15 vezes mais massiva que Fobos já criou marés oceânicas em Marte? Créditos da Imagem: Lua: Mark Garlick; Marte: DottedHippo, Getty.

Fonte: https://www.skyatnightmagazine.com/news/mars-tides-lost-moon


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