
O Telescópio Espacial James Webb conseguiu algo que até pouco tempo parecia impossível: estudar diretamente a superfície de um planeta rochoso localizado fora do Sistema Solar.
O alvo foi o exoplaneta LHS 3844 b, um mundo situado a cerca de 48 anos-luz da Terra que já era conhecido por sua aparência extrema. Agora, novas observações revelam detalhes inéditos sobre sua superfície e sua história geológica.
Descoberto pelo satélite TESS em 2018, o planeta possui cerca de 30% mais diâmetro que a Terra e completa uma órbita ao redor de sua estrela em apenas 11 horas.
Por estar extremamente próximo da estrela hospedeira, uma anã vermelha, o planeta encontra-se em rotação sincronizada. Isso significa que sempre mostra a mesma face para a estrela, assim como a Lua mostra sempre a mesma face para a Terra.
Como resultado, o lado iluminado atinge temperaturas próximas de 1.000 Kelvin, cerca de 727°C.
Utilizando o instrumento MIRI, o James Webb analisou a radiação infravermelha emitida pela superfície superaquecida do planeta. Ao comparar os dados obtidos com amostras e modelos de rochas da Terra, da Lua e de Marte, os pesquisadores chegaram a uma conclusão surpreendente: a superfície de LHS 3844 b não se parece com a crosta terrestre.
Os resultados indicam que o planeta provavelmente não possui uma crosta rica em silicatos como a da Terra. Isso sugere que processos geológicos semelhantes à tectônica de placas podem nunca ter existido ali ou tiveram papel muito limitado em sua evolução.
Segundo os pesquisadores, a superfície pode ser dominada por rochas vulcânicas escuras, semelhantes ao basalto encontrado na Lua e em algumas regiões vulcânicas da Terra.
Outra descoberta importante é a ausência de atmosfera.
As observações do James Webb reforçam evidências anteriores de que LHS 3844 b é praticamente um mundo nu, sem uma camada gasosa capaz de distribuir calor ou proteger a superfície da intensa radiação estelar.
Sem essa proteção, a superfície permanece exposta ao bombardeio constante de partículas energéticas e micrometeoritos, processos que podem escurecer as rochas ao longo de milhões de anos.
Os cientistas ainda investigam se a superfície atual é resultado de atividade vulcânica relativamente recente ou se se trata de um terreno muito antigo, modificado lentamente pela erosão espacial.
Novas observações do James Webb poderão ajudar a responder essa questão e revelar mais detalhes sobre a composição de outros mundos rochosos além do Sistema Solar.
Sobre a Imagem: Conceito artístico do LHS 3844 b, uma super-Terra rochosa com 1,3 vezes a massa da Terra. Ela orbita uma estrela anã vermelha e parece não ter atmosfera. Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech.

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