Imagem do sol mostrando erupções solares e linhas de campo magnético em tons de amarelo.

O Sol pode estar passando por mudanças profundas e inesperadas em sua atividade magnética. Um novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society revelou sinais de que o comportamento interno da estrela vem mudando há mais de uma década, algo que até agora havia passado despercebido.

Os cientistas já conhecem bem o chamado ciclo solar, um período de aproximadamente 11 anos marcado pela alternância entre fases de alta e baixa atividade magnética. Durante o máximo solar, aumentam o número de manchas solares, as explosões solares e as ejeções de massa coronal. Já no mínimo solar, o Sol entra em uma fase mais calma.

Mas além desses sinais visíveis na superfície, o Sol também apresenta oscilações internas chamadas modos-p. Essas ondas sonoras viajam logo abaixo da superfície solar e funcionam como uma espécie de “ultrassom” natural da estrela, permitindo que os astrônomos investiguem o que acontece em suas camadas internas.

Foi justamente analisando essas oscilações que pesquisadores descobriram algo inesperado.

Utilizando quatro décadas de dados da Rede de Oscilações Solares de Birmingham (BiSON), um conjunto de observatórios que monitora o Sol desde 1976, a equipe identificou uma discrepância crescente entre os sinais observados na superfície e os sinais detectados pelas oscilações internas.

Segundo Bill Chaplin, professor de astrofísica da Universidade de Birmingham e líder do estudo, os modos-p permitem investigar diretamente o comportamento magnético abaixo da superfície visível do Sol.

“Estamos perguntando o que realmente está acontecendo abaixo da superfície”, explicou o pesquisador em entrevista à 404 Media.

Os resultados mostram que o atual Ciclo Solar 25, iniciado em 2019, apresenta uma atividade magnética interna muito mais intensa do que os indicadores superficiais sugerem. Enquanto manchas solares e fluxo de rádio aparentam um ciclo relativamente moderado, as oscilações internas revelam um comportamento comparável aos ciclos solares mais fortes das últimas décadas.

Os cientistas acreditam que isso pode indicar que a atividade magnética está ficando progressivamente mais concentrada em uma camada rasa abaixo da superfície solar. No entanto, ainda não se sabe o que estaria causando essa mudança.

A descoberta também reforça que os ciclos solares não são simples repetições idênticas uns dos outros.

“Acho que está ficando claro que nenhum ciclo solar é igual ao outro”, afirmou Chaplin.

Compreender essas mudanças é importante não apenas para entender o funcionamento interno do Sol, mas também para melhorar previsões de clima espacial, que podem afetar satélites, comunicações e sistemas elétricos na Terra.

Os pesquisadores continuarão acompanhando o Ciclo Solar 25 nos próximos anos para tentar descobrir se essas alterações fazem parte de um padrão maior ligado ao chamado ciclo de Hale, um ciclo magnético mais longo que dura cerca de 22 anos.



Sobre a Imagem: O campo magnético do Sol. Créditos da Imagem: NASA/Goddard.

Link do estudo: https://academic.oup.com/mnras/article/549/2/stag847/8694735


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