
A jornada de Brian Alpert dentro da NASA começou muito antes de ele imaginar o impacto que teria no retorno da humanidade à Lua. Desde cedo fascinado pela indústria aeroespacial, ele traçou um caminho que o levaria ao Centro Espacial Johnson, em Houston, ainda no segundo ano da faculdade. O momento decisivo ocorreu quando Tricia Mack, integrante do Escritório de Integração de Transporte da NASA e especialista em caminhadas espaciais, ministrou uma palestra que mudaria sua vida. Ao falar sobre o planejamento meticuloso das atividades extraveiculares, o treinamento exigente das equipes e o suporte às missões em tempo real, Mack despertou em Alpert o desejo de fazer parte da agência.
Meses depois, ele alcançava o objetivo: foi aceito como estagiário de engenharia no Johnson. “Minha primeira parada após a integração de novos funcionários foi o escritório da Tricia”, relembra. O que ele não imaginava é que, dezoito anos mais tarde, ocuparia uma posição de liderança central no programa Artemis, o esforço global para devolver astronautas à superfície lunar.
Hoje, Alpert é vice-diretor de integração interprogramática do Sistema de Pouso Humano (HLS), a nave projetada para levar seres humanos à Lua pela primeira vez desde 1972. Suas responsabilidades vão desde a coordenação com outros programas Artemis (como a cápsula Orion) até acordos técnicos, integração de hardware, trocas de dados e revisões críticas. Ele também colidera a Equipe de Resolução de Problemas de Atmosferas de Exploração, responsável por avaliar riscos relacionados à atmosfera das espaçonaves, pressurização dos trajes espaciais e implicações operacionais nas futuras missões lunares.
Essa função estratégica apoia-se diretamente nas experiências adquiridas ao longo de sua carreira. Alpert já foi instrutor de tripulação para caminhadas espaciais, controlador de voo e engenheiro de sistemas, papéis que exigem precisão, resiliência e tomada rápida de decisões. Uma de suas lembranças mais marcantes ocorreu durante a Expedição 32 da Estação Espacial Internacional, quando problemas com trajes espaciais e equipamentos surgiram durante uma caminhada extraveicular. Alpert, então controlador de voo principal, desempenhou papel fundamental para garantir o retorno seguro da astronauta Suni Williams e do astronauta japonês Aki Hoshide. Como o reparo não pôde ser finalizado, uma segunda caminhada espacial foi necessária dias depois, e Alpert novamente estava no console, coordenando um esforço internacional crucial para o sucesso da missão.
A experiência reforçou uma das lições mais importantes de sua carreira: a força das equipes da NASA. “Aprendi que todos aqui são excepcionalmente talentosos, apaixonados e dedicados”, afirma. “Quando o trabalho fica estressante, sempre existe uma equipe disposta a ajudar, trazendo novas perspectivas e soluções.” Para ele, os colegas são a melhor parte do trabalho: “Por mais que eu ame o que fazemos, o que realmente me anima é trabalhar com pessoas incríveis todos os dias.”
Outra lição valiosa veio com a necessidade de se adaptar às mudanças constantes da agência. “A NASA passou por muitas transformações desde 2009”, diz. Definir metas claras para si, para sua equipe e para cada projeto é a estratégia que adotou para manter o foco, priorizar demandas e lidar com desafios inesperados, um aspecto vital em um programa tão complexo quanto o Artemis.
Apesar da rotina intensa, Alpert também encontra espaço para diversão nas tradições do Centro Espacial Johnson. Uma de suas favoritas é o concurso anual de chili, no qual participa como membro da equipe Cosmic Chili, frequentemente vestindo uma fantasia de Wolverine para entrar no clima festivo. Ele também é fã de concursos de perguntas e respostas sobre o espaço, que já renderam uma coleção respeitável de troféus.
Da inspiração de um seminário universitário ao papel de liderança no maior programa lunar do século XXI, Brian Alpert personifica a ideia de que carreiras espaciais são construídas tanto com conhecimento técnico quanto com colaboração, paixão e capacidade de adaptação. Sua trajetória é um lembrete de que, dentro da NASA, o trabalho de cada indivíduo (seja em uma sala de controle, em um laboratório ou em uma reunião de integração) contribui diretamente para levar a humanidade um passo mais perto das estrelas.
Sobre a Imagem: Brian Alpert dá suporte a uma caminhada espacial fora da Estação Espacial Internacional a partir do Centro de Controle de Missão no Centro Espacial Johnson em 2015. Crédito: NASA/Bill Stafford.

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