
A sonda Lucy, da NASA, já está a caminho dos asteroides troianos de Júpiter, mas cientistas acreditam que há espaço para tornar sua missão ainda mais ambiciosa. Um novo estudo, publicado no servidor de pré-impressão arXiv, indica que pequenas alterações de trajetória podem permitir que a espaçonave visite um asteroide extra (possivelmente ainda não descoberto) durante sua passagem pela nuvem L5, grupo de troianos que segue Júpiter em sua órbita. A inclusão desse alvo poderia oferecer novas comparações entre as populações de L4 e L5, aprofundando o conhecimento sobre a origem e evolução desses corpos primordiais do Sistema Solar.
Atualmente, Lucy tem cinco encontros programados: quatro na nuvem L4 e um com o binário Pátroclo-Menoécio na nuvem L5. No entanto, como o aglomerado L5 contém inúmeros objetos pequenos ainda não observados, a oportunidade de um sobrevoo adicional está sobre a mesa.
A trajetória da sonda é complexa, envolvendo múltiplas assistências gravitacionais da Terra e ajustes ao longo do caminho. Para viabilizar um encontro extra, o primeiro passo seria identificar um alvo viável. Embora quase todos os asteroides maiores que 10 km em L5 já tenham sido catalogados, estima-se que exista uma vasta população de menores dimensões. Usando leis estatísticas que relacionam tamanho e quantidade, os pesquisadores modelaram posições prováveis desses objetos e calcularam janelas de observação ideais.
Segundo o estudo, telescópios de grande porte, como o Subaru ou o Observatório Vera Rubin, poderiam detectar candidatos de 700 metros de diâmetro em apenas uma noite de observação, ou de 500 metros em poucas noites, empregando técnicas de “empilhamento” para rastrear objetos tênues.
O desafio seguinte é a navegação. Alterar a rota consome combustível e deve ser feito sem comprometer os objetivos principais. A equipe calculou que Lucy poderia usar um “delta-v” moderado de até 50 m/s, compatível com suas reservas atuais. Duas janelas foram identificadas: após a terceira assistência gravitacional da Terra, quando a nave se aproxima do centro da nuvem L5 (aumentando a probabilidade de um encontro próximo), ou após a passagem por Pátroclo-Menoécio, quando estaria na borda externa do aglomerado, cobrindo um volume maior, mas com menos alvos.
Para que a manobra seja possível, será essencial garantir tempo de observação em um grande telescópio no final de 2026, quando os troianos estarão em posição favorável. Sem isso, as chances de localizar um alvo extra diminuem consideravelmente.
Dada a possibilidade de ampliar a ciência da missão com um custo relativamente baixo, os autores defendem que seria uma oportunidade única de tornar Lucy ainda mais valiosa. Agora, a decisão depende de conseguir recursos e apoio para executar o plano, enquanto a comunidade astronômica aguarda para saber se a ousada sonda ganhará mais um capítulo em sua jornada.
Sobre a Imagem: Concepção artística de Lucy visitando o sistema Pátroclo-Menoécio. Crédito: NASA GSFC/Laboratório de Imagem Conceitual/Adriana Gutierrez.
Link do estudo: https://arxiv.org/abs/2508.03687v1

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