
Treze anos após pousar em Marte, o rover Curiosity, da NASA, está mais eficiente do que nunca. Com atualizações recentes de software e novas rotinas operacionais, o robô de seis rodas ganhou capacidade de realizar multitarefas e administrar melhor sua própria energia, avanços cruciais para prolongar sua vida útil científica no planeta vermelho.
Desde 2012, o Curiosity tem como missão investigar a história geológica e climática de Marte. Agora, ele explora uma área cheia de cristas em forma de caixa que, segundo os cientistas, podem ter sido moldadas por água subterrânea bilhões de anos atrás. Esses registros geológicos podem indicar se Marte abrigou vida microbiana em seu subsolo no passado distante, especialmente quando o planeta começou a perder suas reservas de água.
Diferentemente de rovers anteriores que dependiam de energia solar, como Spirit e Opportunity, o Curiosity utiliza um gerador nuclear MMRTG (gerador termoelétrico de radioisótopos multimissão), que transforma o calor do decaimento do plutônio em eletricidade. Embora confiável e durável, essa fonte de energia também sofre desgaste ao longo do tempo, exigindo uma gestão cada vez mais cuidadosa da bateria do rover.
“Nos primeiros anos, éramos como pais superprotetores”, brinca Reidar Larsen, engenheiro do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA. “Mas agora o rover amadureceu. Está aprendendo a fazer várias coisas ao mesmo tempo.” Segundo Larsen, a equipe começou em 2021 a testar se o Curiosity poderia combinar tarefas como mover seu braço robótico, dirigir e transmitir dados simultaneamente, algo que foi validado com sucesso no ambiente marciano.
Outra novidade inteligente é permitir que o Curiosity “tire uma soneca” se concluir suas atividades antes do previsto. Essa flexibilidade evita que o rover consuma energia desnecessariamente com seus aquecedores e instrumentos ligados, otimizando sua autonomia diária.
As melhorias não param por aí. Problemas mecânicos ao longo dos anos forçaram soluções criativas: a equipe reformulou o sistema de perfuração de rochas, desenvolveu um algoritmo para reduzir o desgaste das rodas (constantemente afetadas por pedras afiadas) e até contornou a falha de uma roda de filtro em uma das câmeras principais do rover.
Essas atualizações garantem que o Curiosity continue seu trabalho exploratório mesmo com o passar dos anos. Segundo os engenheiros, mesmo com furos nas rodas e perda parcial de potência, o rover ainda tem muitos quilômetros e descobertas pela frente.
Com novas rotinas, autonomia crescente e ajustes criativos, o Curiosity mostra que a longevidade em Marte é possível, desde que acompanhada de inteligência, inovação e resiliência.
Sobre a Imagem: Esta imagem dos rastros deixados pelo Curiosity da NASA foi capturada em 26 de julho de 2025, enquanto o rover transmitia dados simultaneamente para um orbitador de Marte. Combinar tarefas como essa com mais eficiência utiliza a energia gerada pela fonte de energia nuclear do Curiosity, vista aqui alinhada com fileiras de aletas brancas na parte traseira do rover. Crédito: NASA/JPL-Caltech.
Fonte: https://www.nasa.gov/missions/mars-science-laboratory/curiosity-rover/marking-13-years-on-mars-nasas-curiosity-picks-up-new-skills/

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