
A cerca de 100 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Eridanus, a galáxia espiral NGC 1309 continua fascinando astrônomos e entusiastas do cosmos. Em uma imagem recente do Telescópio Espacial Hubble, a galáxia exibe seu esplendor: braços espirais pontilhados por jovens estrelas azuladas, nuvens de poeira escura que serpenteiam suas regiões externas e um núcleo central brilhante que parece pulsar com energia.
Mas o que realmente diferencia NGC 1309 das centenas de galáxias que aparecem ao fundo da imagem (quase todas visíveis como manchas ou listras de luz) é seu papel em dois eventos cósmicos raros: as supernovas SN 2002fk e SN 2012Z.
Em 2002, a SN 2002fk foi registrada como uma supernova do Tipo Ia, um tipo de explosão estelar usado como “vela padrão” para medir distâncias no universo. Essas explosões ocorrem quando uma anã branca, o núcleo remanescente de uma estrela que já esgotou seu combustível, acumula matéria suficiente de uma estrela companheira para desencadear uma fusão termonuclear violenta.
Dez anos depois, porém, outra explosão em NGC 1309 desafiou esse modelo clássico. A supernova SN 2012Z, apesar de parecer semelhante no espectro à sua antecessora, revelou uma intensidade surpreendentemente baixa. Observações posteriores feitas pelo Hubble mostraram que a anã branca não foi completamente destruída. Em vez disso, algo inesperado permaneceu: uma estrela “zumbi”, mais brilhante do que era antes da explosão. Esse comportamento levou os astrônomos a classificar o evento como uma supernova do Tipo Iax, uma versão mais suave e peculiar do Tipo Ia.
Esse evento tornou NGC 1309 palco de um feito inédito: foi a primeira vez que os cientistas identificaram, em imagens anteriores, o sistema estelar que mais tarde deu origem a uma supernova atípica. Essa descoberta permitiu estudar, em detalhes, a origem e evolução desse tipo raro de explosão estelar.
Além de ser cientificamente valiosa, a imagem do Hubble também captura a vastidão do universo. Em meio às estruturas intrincadas da própria NGC 1309, é possível observar centenas de galáxias de fundo, cada uma contendo bilhões de estrelas. A única exceção local é uma estrela da nossa própria Via Láctea, visível no topo da imagem, identificável por seus picos de difração, um lembrete de que, mesmo diante da imensidão cósmica, nossa vizinhança estelar continua presente no campo de visão.
As observações contínuas do Hubble sobre NGC 1309 reforçam não apenas a complexidade das supernovas, mas também o potencial de telescópios espaciais para revelar histórias ocultas no tempo e no espaço. Entre galáxias distantes e estrelas moribundas, o universo segue contando seus segredos, um brilho de cada vez.
Sobre a Imagem: imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra a galáxia espiral NGC 1309 de frente. Crédito: ESA/Hubble & NASA, L. Galbany, S. Jha, K. Noll, A. Riess.
Fonte: https://phys.org/news/2025-08-hubble-surveys-supernova-rich-spiral.html.

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