Imagem mostra Betelgeuse, uma supergigante vermelha, e uma estrela companheira azul, obtida pelo telescópio Gemini North com o instrumento Alopeke.

Usando o telescópio Gemini North, no Havaí, astrônomos conseguiram o que parecia impossível: detectar uma estrela companheira em órbita estreita ao redor de Betelgeuse, a supergigante vermelha mais próxima da Terra. A descoberta ajuda a explicar a longa história de variações no brilho da estrela e marca um avanço importante no estudo da evolução estelar.

Betelgeuse é conhecida por seu tamanho colossal, cerca de 700 vezes o raio do Sol, e por suas mudanças periódicas de luminosidade, registradas há séculos por observadores. Apesar disso, a existência de uma estrela companheira sempre foi apenas uma hipótese, sugerida para explicar ciclos secundários de variabilidade, como o de seis anos.

A confirmação veio graças ao instrumento “Alopeke”, especializado em imagens de altíssima resolução. A técnica usada, chamada speckle imaging, permite capturar imagens nítidas ao congelar os efeitos da turbulência atmosférica com exposições extremamente curtas. A estrela companheira, seis vezes mais fraca que Betelgeuse, foi detectada a uma distância orbital de apenas quatro unidades astronômicas, dentro da atmosfera externa da supergigante.

Segundo os pesquisadores, trata-se de uma estrela jovem, do tipo A ou B, com cerca de 1,5 vez a massa do Sol. Ela ainda não iniciou a queima de hidrogênio, o que indica que pode estar em fase de pré-sequência principal. Sua proximidade extrema com Betelgeuse sugere que fortes forças de maré possam fazer com que ela espirale para dentro e colida com a estrela maior nos próximos 10 mil anos.

A hipótese da companheira estelar já havia sido levantada em estudos publicados em 2024, mas até agora nenhuma observação havia conseguido localizá-la. Tentativas anteriores com o telescópio Hubble e o observatório de raios X Chandra não tiveram sucesso. Foi o alto contraste e resolução do Alopeke, aliado ao espelho de 8,1 metros do Gemini North, que tornou possível a detecção.

Essa descoberta também contribui para entender outros eventos, como o “Grande Escurecimento” de 2019–2020, quando Betelgeuse perdeu uma parte significativa do brilho. Embora a causa imediata tenha sido uma ejeção de poeira, a presença de uma companheira tão próxima pode ter papel importante em eventos semelhantes no futuro.

A próxima oportunidade de observar a companheira com mais clareza será em novembro de 2027, quando ela atingirá a maior distância angular em sua órbita. Até lá, os astrônomos esperam usar novos dados para refinar a compreensão desse sistema estelar extremo, e quem sabe, abrir caminho para descobertas semelhantes em outras supergigantes.

Sobre a imagem: Usando o instrumento ‘Alopeke’, financiado pela NASA e pela NSF, no telescópio Gemini North, metade do Observatório Internacional Gemini, parcialmente financiado pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA (NSF) e operado pelo NSF NOIRLab, astrônomos descobriram uma estrela companheira em uma órbita incrivelmente estreita ao redor de Betelgeuse. Esta descoberta responde à questão milenar de por que esta famosa estrela experimenta uma mudança periódica de brilho de aproximadamente seis anos e fornece insights sobre os mecanismos físicos por trás de outras supergigantes vermelhas variáveis. A estrela companheira aparece azul aqui porque, com base na análise da equipe, é provavelmente uma estrela do tipo A ou B, ambas azul-esbranquiçadas devido às suas altas temperaturas. Alopeke é financiado pelo Programa de Pesquisa Observacional de Exoplanetas da NASA-NSF (NN-EXPLORE). Créditos: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/ Processamento de Imagens AURA: M. Zamani (NSF NOIRLab)

Saiba mais em: https://noirlab.edu/public/news/noirlab2523/?lang


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