Pesquisadores alertam que a quantidade de reentradas descontroladas está aumentando e pode impactar a aviação comercial

Com o aumento da atividade espacial e o crescimento do tráfego aéreo global, um novo estudo publicado na Scientific Reports alerta que o risco de colisão entre aeronaves e detritos espaciais está se tornando uma preocupação crescente. Embora a probabilidade de um impacto direto seja baixa, as consequências de um acidente seriam catastróficas, levando autoridades a considerar fechamentos temporários do espaço aéreo como medida preventiva.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, indica que há uma chance de 26% de uma reentrada descontrolada de foguetes ocorrer em regiões de tráfego aéreo intenso todos os anos, incluindo áreas movimentadas do nordeste dos Estados Unidos, norte da Europa e Ásia-Pacífico. Já em espaços aéreos extremamente congestionados, próximos a grandes aeroportos, o risco é de 0,8% ao ano.

Os autores destacam que a cada semana ocorre, em média, pelo menos uma reentrada descontrolada de algum objeto espacial. Com mais de 2.300 corpos de foguetes abandonados orbitando a Terra, o problema deve se agravar nas próximas décadas, exigindo respostas urgentes da comunidade internacional.

A preocupação com detritos espaciais na aviação não é apenas teórica. No último dia 16 de janeiro, a SpaceX perdeu o controle da espaçonave Starship 7, que explodiu, reentrou na atmosfera da Terra e caiu no Oceano Atlântico, próximo às Ilhas Turks e Caicos.

Em resposta, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos ativou um alerta de emergência, desviando aeronaves da área e impondo restrições temporárias ao tráfego aéreo. Algumas companhias aéreas precisaram modificar rotas e gastar mais combustível.

Esse incidente ressalta os desafios enfrentados pelas autoridades na tomada de decisões: fechar o espaço aéreo e impactar a aviação ou mantê-lo aberto e assumir os riscos?

Segundo o estudo, os riscos para aeronaves em voo incluem:

Velocidade de Impacto – Mesmo pequenos fragmentos de um foguete ou satélite podem se tornar projetis letais quando colidem com aeronaves que voam a mais de 800 km/h.

Danos Críticos – Um detrito de apenas 9 gramas pode perfurar a fuselagem, enquanto objetos acima de 300 gramas podem causar a perda total da aeronave.

Dificuldade de Previsão – Autoridades só conseguem prever a localização da reentrada com cerca de 60 minutos de antecedência, e a incerteza pode ser de mais de 2.000 km.

Atualmente, menos de 35% dos lançamentos espaciais realizam reentradas controladas, que direcionam foguetes para cair com segurança em áreas remotas do oceano. A maioria das reentradas ainda ocorre de forma descontrolada, aumentando o risco para aeronaves, pessoas no solo e até satélites ativos em órbita.

O estudo recomenda que governos imponham regras mais rígidas, exigindo que todas as reentradas sejam planejadas. Nos EUA, a FAA já propôs novas regulamentações, mas elas ainda precisam ser aprovadas.

No entanto, mesmo que essa mudança ocorra, os pesquisadores alertam que os detritos já em órbita continuarão caindo por décadas, e as autoridades da aviação precisarão lidar com reentradas descontroladas por muito tempo.

O estudo conclui que, à medida que mais satélites e foguetes forem lançados, os riscos de colisão com aeronaves também aumentarão. Se nenhuma medida for tomada, a frequência de fechamentos de espaço aéreo pode crescer nos próximos anos, afetando milhões de passageiros e trazendo impactos econômicos.

Diante desse cenário, a única certeza é que a aviação e a exploração espacial precisarão trabalhar juntas para evitar um acidente antes que seja tarde demais.

Sobre a imagem: Ilustração mostrando detritos artificiais e micrometeoroides naturais orbitam dentro e ao redor do ambiente espacial da Terra. Créditos da imagem: NASA

Fonte: https://www.nature.com/articles/s41598-024-84001-2


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