Uma equipe internacional de cientistas obteve, pela primeira vez, uma imagem de alta definição de um filamento cósmico conectando duas galáxias em formação, quando o universo tinha apenas 2 bilhões de anos. A descoberta, publicada na revista Nature Astronomy, abre o caminho para uma compreensão mais profunda sobre a formação de galáxias e a distribuição do gás intergaláctico.

Os pesquisadores estudaram o MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), um dos espectrógrafos mais avançados do mundo, instalado no Very Large Telescope (VLT), no Chile. Foram permitidas centenas de horas de observação para captar a luz extremamente fracas emitidas por esse filamento, que se estende por 3 milhões de anos-luz e conecta duas galáxias, ambas abrigando buracos negros supermassivos ativos.

“Pela primeira vez, pudemos traçar o limite entre o gás residente nas galáxias e o material contido na teia cósmica por meio de profundidade direta”, explicou Davide Tornotti, pesquisador da Universidade de Milão-Bicocca e autor principal do estudo.

A teia cósmica é uma estrutura gigantesca que permeia todo o universo, composta por filamentos interconectados de matéria escura e gás. Esses filamentos formam um tipo de “andaime” onde as galáxias se desenvolvem e evoluem.

85% da matéria do universo é matéria escura, que forma a base estrutural da teia cósmica.
Dentro dos filamentos, fluxos de gás abastecem a formação de estrelas nas galáxias.
As interseções desses filamentos são onde surgem as galáxias mais complicadas.

No entanto, até agora, estudar esses filamentos diretamente era um desafio, pois o gás intergaláctico é extremamente difuso e emite uma luz muito fraca. Essa nova observação representa um avanço sem precedentes na astrofísica.

A luz desse filamento contínuo por 12 bilhões de anos até alcançar a Terra. Para detectá-la, os cientistas precisaram de uma das campanhas de observação mais ambiciosas já feitas com o MUSE.

As imagens revelaram que o filamento transporta gás para as galáxias em formação, ajudando a alimentar a criação de novas estrelas e a evolução das galáxias.

Além da observação direta, os pesquisadores compararam os resultados com simulações computacionais do universo realizadas no Instituto Max Planck de Astrofísica (MPA), na Alemanha. Os modelos previram com precisão a emissão de gás do filamento, confirmando a teoria atual sobre a teia cósmica.

Essa é a imagem mais detalhada já captada de um filamento da teia cósmica, ajudando os astronômos a entender como o gás intergaláctico se move, se distribui e abastece as galáxias.

No entanto, os cientistas alertaram que esta é apenas a primeira observação direta de um filamento cósmico em alta definição, e que muitos outros precisam ser encontrados para que se tenha uma visão completa desse específico.

“Estamos reunindo mais dados para descobrir mais estruturas desse tipo e entender melhor como o gás flui na teia cósmica”, conclui Fabrizio Arrigoni Battaia, cientista do MPA envolvido no estudo.


Sobre a imagem: A imagem mostra o gás difuso (amarelo a roxo) contido dentro do filamento cósmico conectando duas galáxias (estrelas amarelas), estendendo-se por uma vasta distância de 3 milhões de anos-luz. Créditos da imagem: Davide Tornotti/University of Milano-Bicocca

Fonte: https://phys.org/news/2025-02-international-team-captures-high-definition.html


Comentários

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading