
Astrônomos detectaram uma explosão altamente energética e incomum no céu, e sua origem permanece um mistério. O evento, identificado como EP240408A, não se encaixa nos padrões típicos de explosões de raios gama, o que levanta a possibilidade de ser um fenômeno cósmico ainda desconhecido.
Desde o lançamento da Sonda Einstein em 2024 – um telescópio espacial de raios X desenvolvido pela Academia Chinesa de Ciências (CAS) em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA) e o Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, cientistas vêm utilizando seus instrumentos para monitorar o céu em busca de eventos extremos. Em abril de 2024, a sonda registrou essa explosão peculiar, que foi rapidamente analisada por uma equipe internacional de astrônomos.
Explosões cósmicas altamente energéticas geralmente são classificadas como explosões de raios gama (GRBs), fenômenos que ocorrem quando estrelas massivas colapsam em buracos negros ou quando duas estrelas de nêutrons se fundem, liberando jatos de partículas que viajam quase à velocidade da luz. No entanto, EP240408A não corresponde ao perfil típico de um GRB.
Um estudo liderado por pesquisadores do MIT, Universidade da Carolina do Norte, Universidade Carnegie Mellon, entre outras instituições, analisou a explosão usando diversos telescópios espaciais e terrestres, como NuSTAR, Swift, Gemini, Keck, DECam, VLA, ATCA e NICER. As conclusões, publicadas no The Astrophysical Journal Letters em 27 de janeiro, indicam que o fenômeno pode representar uma nova classe rara de explosão cósmica.
Uma das hipóteses mais intrigantes sugere que EP240408A pode ser um evento de ruptura de maré com jato, um processo em que um buraco negro supermassivo despedaça uma estrela que se aproxima demais de seu campo gravitacional. Essa teoria explicaria parte das características da explosão, mas não tudo.
“EP240408A preenche alguns requisitos para vários tipos diferentes de fenômenos, mas não se encaixa perfeitamente em nenhum deles”, explica Brendan O’Connor, da Universidade Carnegie Mellon. “A curta duração e a alta luminosidade são difíceis de explicar em outros cenários. A alternativa é que estamos observando algo totalmente novo.”
Se EP240408A realmente for um evento de ruptura de maré, ele deveria apresentar fortes emissões de rádio associadas ao jato de matéria expelida, mas até agora, nenhum sinal de rádio foi detectado. Isso levanta novas questões sobre o que pode ter causado essa explosão energética.
“A capacidade do NICER de se orientar para praticamente qualquer parte do céu e monitorar eventos por semanas foi fundamental para nossa compreensão dessa explosão cósmica incomum”, destaca Dheeraj Pasham, do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT.
A Sonda Einstein está apenas no início de sua missão, e eventos como esse mostram que ainda há muito a ser descoberto sobre os fenômenos extremos do universo.
“Estou ansioso para perseguir a próxima explosão estranha da Sonda Einstein”, afirma Pasham, refletindo o entusiasmo da comunidade astronômica diante do potencial de novas descobertas.
Com a contínua observação do cosmos e o avanço das tecnologias de detecção, é possível que EP240408A seja apenas o primeiro de muitos eventos surpreendentes que desafiarão nossa compreensão do universo.
Saiba mais em https://iopscience.iop.org/article/10.3847/2041-8213/ada7f5
Sobre a imagem: Concepção artística de material estelar fragmentado de um evento de interrupção de maré. Créditos da imagem: C. Carreau/ESA

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