
O asteroide Ryugu é um objeto próximo da Terra, que orbita o Sol a uma distância semelhante à da Terra, mas que começou sua vida muito mais longe, nas regiões frias do sistema solar externo. Essa conclusão foi baseada na análise de grãos de poeira coletados do asteroide pela sonda Hayabusa2 da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), que visitou Ryugu em 2019 e retornou com as amostras em 2020.
A missão Hayabusa2 foi lançada em 2014 com o objetivo de explorar o asteroide Ryugu e trazer de volta amostras de sua superfície e subsuperfície. A sonda chegou ao asteroide em junho de 2018 e passou um ano e meio estudando sua forma, estrutura, composição, gravidade e rotação. Ela também liberou três pequenos robôs que pousaram no asteroide e coletaram dados adicionais.
Em fevereiro e julho de 2019, a sonda realizou duas operações de coleta de amostras, nas quais se aproximou do asteroide e disparou um projétil para levantar poeira e fragmentos. A sonda então capturou esses materiais com um mecanismo especial e os armazenou em uma cápsula. Em novembro de 2019, a sonda partiu do asteroide e iniciou sua viagem de volta à Terra.
Em dezembro de 2020, a cápsula com as amostras se separou da sonda e entrou na atmosfera terrestre. Ela pousou com sucesso no deserto australiano, onde foi recuperada por uma equipe da JAXA. As amostras foram então transportadas para o Japão, onde foram abertas e analisadas por cientistas de vários países.
O asteroide Ryugu é um tipo C, rico em carbono e água, e tem uma forma irregular e porosa, com cerca de 900 metros de diâmetro. Ele é composto por um aglomerado de rochas menores, unidas pela gravidade, chamado de “pilha de entulho”. Ele tem muitas semelhanças com os asteroides do cinturão principal, especialmente as famílias Polana e Eulalia, mas também tem muita matéria orgânica, semelhante aos cometas.
Os cientistas estavam interessados em estudar o asteroide Ryugu porque ele pode ser um remanescente dos blocos de construção dos planetas que se formaram no início do sistema solar. Eles esperavam que as amostras revelassem informações sobre a origem e a evolução do asteroide, bem como sobre a história da água e da vida no sistema solar.
Uma das descobertas mais surpreendentes foi que o asteroide Ryugu não se formou na sua atual órbita, mas sim nas regiões frias do sistema solar externo. Essa conclusão foi baseada na análise de grãos de poeira coletados do asteroide, que são ricos em olivina, piroxênio e silicatos amorfo, que são os minerais menos alterados pela água presente no asteroide.
A equipe de cientistas usou a espectrometria infravermelha para estudar esses grãos e descobriu que o perfil de luz infravermelha que eles refletem é semelhante ao de objetos do sistema solar externo, com origens mais distantes do que o cinturão de asteroides. Esses objetos incluem o asteroide Hektor, um troiano que compartilha a órbita de Júpiter; o Cometa Hale-Bopp; e a poeira interestelar de provável origem cometária.
A cor vermelha dos grãos também indica que eles foram expostos à radiação cósmica por um longo período de tempo, o que sugere que eles se formaram há bilhões de anos, quando o sistema solar era mais jovem.
A descoberta de que o asteroide Ryugu veio das regiões frias do sistema solar externo tem implicações importantes para a compreensão da formação e da migração dos planetas e dos pequenos corpos celestes. Ela sugere que o asteroide Ryugu é um fragmento de um corpo maior que se formou nas proximidades de Júpiter ou além, e que foi transportado para o interior do sistema solar por algum mecanismo dinâmico, como as ressonâncias orbitais, as perturbações gravitacionais ou as colisões.
Essa hipótese é apoiada por modelos teóricos e simulações numéricas que mostram que muitos objetos do sistema solar externo foram espalhados para o interior durante a evolução do sistema solar, especialmente durante o chamado “Grande Bombardeio Tardio”, um período de intensa atividade de impactos que ocorreu há cerca de 4 bilhões de anos.
A descoberta também mostra que o asteroide Ryugu é um objeto híbrido, que combina características dos asteroides do cinturão principal e dos cometas. Ele pode ter preservado alguns dos materiais primitivos que existiam nas regiões frias do sistema solar externo, mas também pode ter sofrido alterações químicas e físicas ao longo do tempo, devido à sua proximidade com o Sol e à sua interação com outros objetos.
O estudo dos grãos de poeira coletados do asteroide Ryugu pode fornecer pistas sobre a origem da água e da matéria orgânica na Terra e em outros planetas, bem como sobre os processos que afetam a evolução dos pequenos corpos celestes.
O artigo científico com os resultados da análise dos grãos de poeira foi publicado na revista Nature Astronomy.
Sobre a imagem: Asteroide 162173 Ryugu / Créditos: JAXA

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