
aproximadamente 12 milhões de anos-luz da Terra, a galáxia espiral Messier 82 (M82), mais conhecida como Galáxia do Charuto, acaba de revelar seus detalhes mais impressionantes graças ao Telescópio Espacial James Webb. Um novo levantamento realizado pela equipe científica do observatório utilizou 65 horas de observações para produzir uma das imagens mais completas já obtidas desse verdadeiro laboratório natural da formação estelar.
A M82 passa atualmente por uma intensa explosão de nascimento de estrelas, um fenômeno conhecido como starburst. Os astrônomos acreditam que essa atividade extraordinária tenha sido desencadeada por uma interação gravitacional com outra galáxia no passado. Como consequência, a taxa de formação estelar é cerca de dez vezes maior do que a observada na Via Láctea.
Embora essa fase seja extremamente intensa, ela também é temporária em termos astronômicos e deverá durar apenas algumas centenas de milhões de anos antes que o gás disponível para formar novas estrelas seja consumido.
O levantamento foi realizado com o instrumento NIRCam, capaz de observar em infravermelho próximo. Essa faixa do espectro permite atravessar a espessa camada de poeira que impede telescópios ópticos de enxergarem o interior da galáxia.
Graças a essa capacidade, o Webb conseguiu revelar aproximadamente 16,5 milhões de estrelas individuais, algo impossível para observatórios anteriores.
Segundo o pesquisador principal do estudo, Adam Smercina, a M82 continua sendo um dos maiores mistérios da evolução galáctica.
“M82 é uma bagunça, mas uma bagunça bela. Ainda não entendemos completamente o que está acontecendo em sua história evolutiva.”
As novas imagens também revelam que o disco da galáxia possui uma estrutura bastante deformada. Essa assimetria reforça a hipótese de que M82 sofreu uma forte interação gravitacional com outra galáxia, evento que provavelmente desencadeou sua atual explosão de formação estelar.
Além do enorme número de estrelas resolvidas, o Webb registrou em detalhes gigantescas plumas de material sendo lançadas acima e abaixo do disco galáctico.
Esses fluxos apresentam uma estrutura em camadas.
As regiões mais próximas da galáxia são dominadas por gás ionizado, enquanto áreas mais distantes são ricas em pequenos grãos de poeira conhecidos como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, compostos importantes para compreender a composição do meio interestelar e os processos físicos que ocorrem durante a formação de estrelas.
Os pesquisadores destacam que o levantamento não representa apenas uma imagem mais bonita da M82.
Cada uma das milhões de estrelas registradas funciona como um registro da história da galáxia, permitindo reconstruir quando diferentes populações estelares nasceram e como a Galáxia do Charuto evoluiu ao longo de bilhões de anos.
Para Benjamin Williams, membro da equipe científica, o nível de detalhe obtido representa um salto gigantesco.
“A quantidade de estrelas que conseguimos resolver com o Webb é incrível. É um mundo completamente diferente do que conseguíamos observar com outros telescópios.”
Os cientistas também ressaltam que esse estudo mostra a importância da combinação entre diferentes observatórios espaciais.
Enquanto o Webb fornece uma visão inédita em infravermelho, dados obtidos anteriormente pelo Telescópio Espacial Hubble e por outras missões permitem montar uma reconstrução muito mais completa da evolução da galáxia.
Segundo a pesquisadora Kristen McQuinn, compreender sistemas tão complexos exige justamente essa integração de diferentes missões.
As observações agora servirão de base para diversos estudos sobre formação estelar, dinâmica galáctica, poeira interestelar e evolução de galáxias em explosão estelar, consolidando a M82 como um dos principais laboratórios naturais para entender como galáxias evoluem ao longo da história do Universo.
Sobre a Imagem: Cientistas usaram o Telescópio Espacial James Webb da NASA para obter imagens da galáxia estrelada Messier 82, vista de perfil, e traçar sua história evolutiva. Esta imagem composta do Webb e do Hubble inclui 16,5 milhões de estrelas (branco-azuladas), grãos de poeira (vermelho-alaranjados) e gás hidrogênio ionizado (amarelo). Créditos da Imagem: NASA, ESA, CSA, Adam Smercina (STScI, Tufts), Thomas Williams (Universidade de Manchester); Processamento de imagem: Alyssa Pagan (STScI).
Fonte: https://science.nasa.gov/missions/webb/nasas-webb-pinpoints-millions-of-stars-within-cigar-galaxy/#h-related-information

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