Imagens de diferentes bandas espectrais, mostrando pontos e características em cada uma. Bandas 1 a 6 estão distribuídas em um layout de grade, com dois satélites identificados nas imagens.

A preocupação dos astrônomos com o aumento do número de satélites em órbita acaba de ganhar mais uma evidência concreta.

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Centro de Pesquisa Ames da NASA revelou que quase três em cada quatro imagens obtidas pelo telescópio espacial SPHEREx apresentaram contaminação causada por satélites artificiais.

Segundo os pesquisadores, 73,3% das imagens analisadas continham pelo menos um rastro deixado por satélites em órbita terrestre.

O resultado confirma previsões que vêm sendo discutidas pela comunidade científica há vários anos.

O SPHEREx foi projetado para mapear todo o céu em luz infravermelha próxima.

Para realizar essa tarefa, o telescópio utiliza exposições longas e observa grandes regiões do céu ao mesmo tempo.

Essas características tornam o observatório especialmente vulnerável à passagem de satélites.

Mesmo operando no espaço, o problema não desapareceu.

Os cientistas esperavam que a posição orbital do telescópio reduzisse significativamente a interferência causada por objetos artificiais.

No entanto, os dados mostraram que, em média, cada exposição continha mais de dois rastros de satélites.

A situação é ainda mais preocupante porque alguns desses satélites estão interferindo diretamente nos sistemas de proteção do observatório.

O SPHEREx possui algoritmos desenvolvidos para identificar impactos causados por raios cósmicos.

Quando detecta um sinal suspeito, o sistema interrompe automaticamente a coleta de dados para proteger os sensores.

O problema é que certos satélites refletem luz suficiente para serem confundidos com esses eventos.

Em alguns casos, o telescópio pode interpretar a passagem de um satélite como uma ameaça e interromper parte das observações.

Mesmo quando isso não acontece, os rastros luminosos acabam ocultando objetos astronômicos presentes na imagem.

Regiões inteiras podem perder informações científicas importantes.

Os pesquisadores destacam que o problema não afeta apenas observatórios terrestres.

Estudos anteriores já haviam mostrado um aumento gradual da contaminação por satélites em imagens do Telescópio Espacial Hubble.

No início dos anos 2000, apenas 2,8% das imagens apresentavam rastros.

Em 2021, esse número já havia subido para 5,9%.

Agora, os resultados do SPHEREx mostram um cenário muito mais preocupante.

A situação pode piorar ainda mais nos próximos anos.

Diversas empresas planejam lançar milhares de novos satélites para ampliar serviços de comunicação e internet global.

Além disso, alguns projetos propõem satélites altamente refletivos capazes de direcionar luz solar para regiões da Terra durante a noite.

Segundo os autores do estudo, sistemas desse tipo poderiam ter impactos severos na qualidade do céu noturno.

Embora existam tentativas de reduzir o brilho dos satélites utilizando revestimentos especiais, a solução está longe de ser definitiva.

Muitos satélites modernos são grandes demais para que essas medidas tenham efeito significativo.

Além disso, reduzir o brilho visível nem sempre resolve o problema no infravermelho, faixa do espectro utilizada por observatórios como o SPHEREx.

Os pesquisadores alertam que a contaminação crescente ameaça diversas áreas da astronomia.

Entre elas estão a busca por objetos próximos da Terra, o estudo de fenômenos transitórios, observações profundas de galáxias distantes e investigações sobre a evolução do universo.

Para a equipe responsável pelo estudo, o trabalho serve como um alerta sobre a necessidade de encontrar soluções antes que o céu noturno se torne ainda mais congestionado.



Sobre a Imagem: Nas imagens acima, são mostrados vários exemplos de rastros de satélite em imagens do SPHEREx coletadas durante os meses de verão de 2025. Crédito da imagem: NASA/Borlaff, et al/arXiv.org.

Link do Estudo: https://arxiv.org/pdf/2605.27501


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