
Astrônomos podem estar mais próximos de resolver um dos enigmas mais persistentes da ciência dos exoplanetas.
Uma proposta de missão chamada Early eVolution Explorer (EVE) pretende investigar por que existe uma aparente divisão entre dois dos tipos mais comuns de planetas encontrados fora do Sistema Solar.
Atualmente, os exoplanetas pequenos costumam ser classificados em dois grupos principais.
De um lado estão as chamadas super-Terras, mundos rochosos maiores que a Terra.
Do outro estão os sub-Netunos, planetas maiores e aparentemente envoltos por espessas camadas gasosas.
Entre esses dois grupos existe uma curiosa escassez de planetas com cerca de 1,8 vezes o raio da Terra.
Essa região é conhecida pelos astrônomos como “vale de raio”.
Embora o fenômeno seja bem conhecido, os cientistas ainda não sabem exatamente por que ele existe.
Duas explicações principais disputam espaço entre os pesquisadores.
A primeira sugere que todos esses planetas nascem de forma semelhante.
Nesse cenário, os jovens planetas acumulam grandes quantidades de hidrogênio e hélio durante sua formação.
Porém, aqueles que orbitam muito próximos de suas estrelas acabam perdendo suas atmosferas devido à intensa radiação estelar.
O resultado seriam as super-Terras rochosas observadas atualmente.
Já os planetas mais distantes conseguiriam preservar seus envelopes gasosos e se tornariam os sub-Netunos.
A segunda hipótese propõe algo diferente.
Segundo essa ideia, super-Terras e sub-Netunos já nasceriam distintos.
As super-Terras seriam mundos predominantemente rochosos, enquanto os sub-Netunos se formariam além da chamada linha de gelo, contendo grandes quantidades de água misturada à rocha.
Nesse caso, o vale de raio não seria consequência da evolução planetária, mas sim uma diferença fundamental entre dois tipos distintos de planetas.
Para descobrir qual explicação está correta, os cientistas precisam observar exoplanetas muito jovens.
O problema é que eles são extremamente raros.
Dos cerca de seis mil exoplanetas conhecidos atualmente, apenas algumas dezenas possuem menos de 50 milhões de anos.
É justamente aí que entra a missão EVE.
A proposta prevê monitorar aproximadamente 20 mil estrelas jovens distribuídas em 30 aglomerados estelares diferentes durante uma missão de dois anos e meio.
O objetivo é identificar centenas de planetas recém-formados e acompanhar suas características.
Mas encontrar planetas ao redor de estrelas jovens não é uma tarefa simples.
Essas estrelas são altamente ativas e produzem erupções frequentes que podem imitar sinais planetários.
Para contornar esse problema, a EVE seria equipada com três instrumentos diferentes operando nas faixas ultravioleta, óptica e infravermelha.
As observações em ultravioleta permitiriam identificar e remover os sinais produzidos pelas erupções estelares, aumentando significativamente a capacidade de detectar planetas verdadeiros.
Os resultados poderão fornecer uma resposta direta para o mistério.
Se a hipótese da perda atmosférica estiver correta, a missão deverá encontrar um grande número de sub-Netunos jovens.
Caso a hipótese dos mundos ricos em água seja a correta, os cientistas esperam detectar apenas alguns poucos exemplos.
Embora ainda não tenha sido aprovada, a missão EVE foi proposta dentro do programa Small Explorers da NASA.
Se receber financiamento, poderá ajudar a revelar como alguns dos planetas mais comuns da galáxia realmente se formam e evoluem.
Sobre a Imagem: Conceito artístico de um mundo aquático. Créditos da Imagem: NASA/JPL-Caltech.
Link do Estudo: https://arxiv.org/abs/2606.04283

Deixe uma resposta