Gráfico mostrando vetores de velocidade de estrelas em uma galáxia, com setas coloridas indicando diferentes velocidades em km/s.

Astrônomos obtiveram as evidências mais detalhadas até agora de que a Pequena Nuvem de Magalhães está sendo deformada pela gravidade de sua galáxia vizinha.

Utilizando mais de 10 anos de observações do levantamento VISTA das Nuvens de Magalhães (VMC), os pesquisadores conseguiram medir os movimentos de milhões de estrelas com uma precisão sem precedentes.

Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics.

A Pequena Nuvem de Magalhães está localizada a cerca de 200 mil anos-luz da Terra e é uma das galáxias mais próximas da Via Láctea.

Juntamente com a Grande Nuvem de Magalhães, forma um sistema de galáxias satélites que interagem gravitacionalmente há bilhões de anos.

Por muito tempo, os cientistas acreditaram que a Pequena Nuvem de Magalhães se comportava como uma galáxia em rotação relativamente estável.

Mas o novo estudo revelou uma realidade bem diferente.

Ao analisar os chamados movimentos próprios das estrelas (seus deslocamentos pelo céu ao longo do tempo) os pesquisadores descobriram que grande parte delas está se movendo para fora da galáxia.

Esse movimento ocorre principalmente ao longo de um eixo que atravessa a galáxia de sudeste para noroeste.

Segundo os autores, essa é uma assinatura clássica de estiramento gravitacional, conhecido como efeito de maré.

O fenômeno acontece quando a gravidade de uma galáxia exerce forças diferentes sobre regiões distintas de outra galáxia, alongando e deformando sua estrutura.

Os dados mostram que as estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães estão se afastando a velocidades médias de aproximadamente 17 quilômetros por segundo.

Ao longo de centenas de milhões de anos, esse movimento é suficiente para deslocar estrelas por milhares de anos-luz e alterar significativamente a forma da galáxia.

Uma das descobertas mais surpreendentes foi que essa expansão não ocorre apenas nas regiões externas.

Os cientistas encontraram sinais da perturbação gravitacional até mesmo nas áreas centrais da galáxia.

Além disso, os pesquisadores não encontraram evidências convincentes de uma rotação organizada após corrigirem os dados pelos efeitos de maré.

Isso indica que os movimentos internos da Pequena Nuvem de Magalhães são dominados pelas interações gravitacionais com a Grande Nuvem de Magalhães e não por uma rotação estável.

A equipe também observou diferenças entre populações estelares de diferentes idades.

Estrelas mais jovens e de idade intermediária apresentam movimentos de expansão mais intensos, enquanto estrelas gigantes vermelhas mais antigas exibem um padrão diferente, incluindo um deslocamento para o norte.

Segundo os pesquisadores, essa característica pode ser o registro de uma interação gravitacional ocorrida há mais de dois bilhões de anos.

As observações foram realizadas utilizando o telescópio VISTA, localizado no Observatório Paranal, no Chile.

A longa sequência de observações permitiu uma precisão aproximadamente três vezes maior do que estudos anteriores.

Os cientistas afirmam que os resultados ajudam a reconstruir a história das interações entre as Nuvens de Magalhães e oferecem uma oportunidade única para compreender como a gravidade molda e transforma galáxias ao longo do tempo.



Sobre a Imagem:
Pequena Nuvem de Magalhães observada com o Telescópio VISTA. As setas mostram o movimento das estrelas para longe do centro da galáxia, revelando um padrão de expansão em grande escala. A escala de cores indica as velocidades das estrelas. Crédito: ESO/VISTA VMC/ AIP/ S. Vijayasree.

Link do Estudo: https://www.aanda.org/component/article?access=doi&doi=10.1051/0004-6361/202659431


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