
Durante décadas, cientistas imaginaram que planetas semelhantes à Terra poderiam ser relativamente comuns na galáxia. Mas um estudo apresentado na Assembleia Geral da União Europeia de Geociências, em Viena, sugere um cenário bem menos otimista: mundos infernais parecidos com Vênus podem ser muito mais abundantes do que verdadeiros planetas habitáveis.
Segundo os resultados preliminares da pesquisa, exoplanetas do tipo Vênus podem ser até duas vezes mais comuns do que mundos capazes de sustentar oceanos e climas estáveis semelhantes aos da Terra.
O trabalho foi liderado por Sean Jordan, pesquisador da ETH Zurich especializado em estudos de exoplanetas.
Os cientistas investigaram como atmosferas extremamente densas e ricas em dióxido de carbono podem surgir naturalmente durante os estágios iniciais de formação planetária. Os modelos indicam que criar um planeta semelhante a Vênus pode ser muito mais fácil do que formar um ambiente temperado e estável como o da Terra.
Segundo os pesquisadores, muitos planetas rochosos passam por uma fase conhecida como “oceano de magma”, quando suas superfícies permanecem praticamente derretidas após a formação. Dependendo das condições, esse processo pode gerar atmosferas sufocantes dominadas por dióxido de carbono, semelhantes à atmosfera venusiana.
Atualmente, astrônomos já conhecem milhares de exoplanetas rochosos e dezenas deles são considerados possíveis candidatos a “Vênus extrassolares”, embora nenhum tenha sido confirmado definitivamente até agora.
Uma das grandes dificuldades está relacionada às estrelas anãs vermelhas, também chamadas de estrelas do tipo M. Muitos dos planetas rochosos descobertos orbitam essas estrelas, mas os cientistas ainda não sabem se esses mundos conseguem manter suas atmosferas por longos períodos.
A intensa radiação emitida pelas anãs vermelhas pode destruir gradualmente as atmosferas dos planetas próximos, tornando difícil determinar se esses mundos realmente se parecem com Vênus ou se perderam completamente seus gases atmosféricos.
Os pesquisadores também destacam que a própria história de Vênus ainda é cercada de incertezas. Existe a possibilidade de o planeta nunca ter sido parecido com a Terra.
Segundo os modelos analisados no estudo, talvez Vênus já tenha nascido como um mundo extremamente quente e hostil, sem jamais desenvolver oceanos estáveis.
Essa hipótese contraria cenários mais antigos que sugeriam que Vênus poderia ter tido água líquida antes de sofrer um efeito estufa descontrolado.
Para os cientistas, compreender melhor Vênus é fundamental para interpretar exoplanetas semelhantes encontrados em outros sistemas estelares.
Apesar dos avanços recentes, os pesquisadores afirmam que ainda serão necessárias décadas de observações para determinar quantos planetas parecidos com Vênus realmente existem na galáxia.
Futuras missões espaciais dedicadas ao estudo de Vênus e telescópios mais avançados deverão ajudar a responder se mundos infernais dominam o universo ou se planetas semelhantes à Terra continuam sendo relativamente comuns.
Fonte: https://meetingorganizer.copernicus.org/EGU26/EGU26-12411.html
Sobre a imagem: Comparação gráfica entre o planeta Vênus e a Terra. Créditos da imagem: NASA

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