
Quando o Telescópio Espacial James Webb foi lançado, muitos astrônomos acreditavam que ele poderia finalmente encontrar sinais de vida em planetas fora do Sistema Solar. Até agora, isso não aconteceu. Em vez de atmosferas semelhantes à da Terra ou possíveis bioassinaturas, o telescópio revelou vários mundos áridos e hostis.
Um dos exemplos mais recentes é o exoplaneta LHS 3844 b. Observações do James Webb indicaram que o planeta não possui atmosfera detectável, sendo provavelmente uma rocha escaldante e inabitável, semelhante a uma versão ampliada de Mercúrio.
Casos semelhantes têm se repetido nos últimos anos. Ainda assim, para os cientistas, os resultados não representam um fracasso. Pelo contrário: eles estão ajudando pesquisadores a entender por que alguns mundos perdem suas atmosferas e quais tipos de sistemas estelares oferecem melhores chances de abrigar vida.
Grande parte do problema parece estar relacionada às estrelas observadas pelo James Webb. Muitos dos exoplanetas estudados orbitam anãs vermelhas, também chamadas de anãs M, o tipo de estrela mais comum da Via Láctea.
Essas estrelas são menores e menos brilhantes que o Sol, o que faz com que planetas potencialmente habitáveis precisem orbitar muito perto delas para manter temperaturas adequadas à presença de água líquida. Isso facilita as observações do JWST, mas existe um lado negativo: anãs vermelhas costumam ser extremamente ativas.
Erupções frequentes e intensa radiação emitida por essas estrelas podem destruir lentamente as atmosferas de planetas próximos. Cientistas acreditam que isso pode explicar por que vários mundos analisados pelo James Webb parecem praticamente sem atmosfera.
Mesmo assim, pesquisadores alertam que atmosferas mais finas, semelhantes à da Terra, ainda podem existir nesses sistemas, mas talvez sejam difíceis demais para o James Webb detectar com precisão.
Essa limitação está mudando os planos da astronomia moderna. Um dos projetos mais aguardados é o ELT, sigla em inglês para Telescópio Extremamente Grande. Com previsão de entrar em operação em 2029 no Chile, ele será o maior telescópio óptico do planeta.
Diferente do James Webb, que depende principalmente da passagem dos planetas diante de suas estrelas, o ELT deverá observar alguns exoplanetas diretamente. Isso pode permitir análises muito mais detalhadas de suas atmosferas e até a busca por possíveis sinais químicos associados à vida.
Ainda assim, os astrônomos reconhecem que encontrar evidências definitivas será extremamente difícil. A atividade intensa das anãs vermelhas pode mascarar ou imitar sinais biológicos, criando ambiguidades nas observações.
Por isso, muitos pesquisadores depositam suas maiores esperanças em uma futura missão da NASA chamada Observatório de Mundos Habitáveis. Planejado para a década de 2040, o projeto será desenvolvido especificamente para procurar planetas semelhantes à Terra orbitando estrelas parecidas com o Sol.
A estratégia é considerada mais segura porque sabemos que um planeta semelhante à Terra ao redor de uma estrela semelhante ao Sol pode sustentar vida, já que esse é exatamente o caso do nosso planeta.
Além de procurar bioassinaturas, o observatório deverá responder uma das perguntas mais profundas da ciência moderna: quão comum é a vida no universo?
Mesmo sem descobertas definitivas até agora, os cientistas acreditam que cada observação realizada pelo James Webb está refinando a busca e aproximando a humanidade desse objetivo.
Como destacam alguns pesquisadores envolvidos nesses projetos, talvez estejamos apenas a uma observação de distância de uma descoberta histórica.
Sobre a imagem: Ilustração artística mostra um mundo semelhante à Terra, com nuvens e água líquida na superfície, orbitando uma estrela anã vermelha. Créditos da imagem: Universidade de Chicago

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