
Mais de 50 anos após as missões Apollo levarem humanos à superfície lunar, a origem da Lua continua cercada de dúvidas. Embora os cientistas concordem que um impacto colossal moldou o sistema Terra-Lua, os detalhes desse evento permanecem entre os maiores mistérios da astronomia planetária.
A teoria mais aceita atualmente afirma que um enorme corpo celeste, chamado de Theia, colidiu com a Terra há cerca de 4,5 bilhões de anos. A violência do impacto teria lançado uma gigantesca quantidade de material ao espaço, formando posteriormente a Lua. O problema é que os pesquisadores ainda não conseguem determinar exatamente o tamanho desse objeto nem como ocorreu a colisão.
Modelos recentes sugerem que Theia pode ter sido muito maior do que se imaginava anteriormente, talvez até comparável a metade da massa da Terra primitiva. Essa hipótese ganhou força porque as rochas lunares trazidas pelas missões Apollo possuem composição química extremamente semelhante às rochas terrestres.
Essa semelhança intriga os cientistas há décadas. Em muitos modelos clássicos, a Lua deveria ser formada principalmente por material vindo de Theia, o que resultaria em uma composição diferente da terrestre. Porém, as análises mostram algo inesperado: Terra e Lua compartilham características químicas muito próximas.
Segundo pesquisadores, isso pode indicar que o impacto misturou intensamente os materiais dos dois corpos ou que a colisão ocorreu de forma diferente das previsões tradicionais.
Os estudos também revelam que a Lua recém-formada provavelmente era um gigantesco oceano de magma incandescente. Com temperaturas extremas, toda sua superfície teria permanecido derretida durante muito tempo antes do resfriamento gradual permitir a formação dos primeiros minerais.
Uma das pistas mais importantes veio das amostras coletadas pelas missões Apollo, especialmente a famosa rocha Gênesis, trazida pela Apollo 15. A rocha é composta quase inteiramente de plagioclásio, um mineral claro que flutua em magma líquido. Isso levou cientistas à conclusão de que a superfície lunar pode representar o topo solidificado de um antigo oceano global de magma.
Hoje, laboratórios especializados conseguem recriar condições extremas semelhantes às encontradas no interior lunar. Pesquisadores utilizam equipamentos capazes de atingir temperaturas superiores a 1.700 graus Celsius e pressões gigantescas para simular a evolução geológica da Lua.
Mesmo com avanços tecnológicos e décadas de pesquisas, ainda não existe um modelo capaz de explicar perfeitamente tanto as propriedades físicas quanto a composição química do sistema Terra-Lua.
Para os cientistas, entender como a Lua surgiu é essencial para compreender também a história da própria Terra. Afinal, o evento que criou nosso satélite natural pode ter redefinido completamente o planeta bilhões de anos atrás.
Sobre a imagem: Foto da Lua tirada em 26 de setembro de 2017 em Gramado – RS, Brasil. Fotografia feita com um telescópio C8 Celestron, ocular de 20 com celular iPhone.
Créditos da imagem: Marcelo Hernández Walcher
Fonte da matéria: https://www.universetoday.com/articles/moons-formation-in-many-ways-still-remains-a-mystery
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