
A NASA identificou a causa do problema técnico que levou ao adiamento da missão Artemis II e obrigou o foguete a retornar ao Prédio de Montagem de Veículos no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O defeito ocorreu em um componente responsável por fornecer gás hélio ao estágio superior do foguete, essencial para manter a pressão adequada no sistema de propulsão criogênica.
A missão, que será o primeiro voo tripulado do programa Artemis ao redor da Lua, agora tem previsão de lançamento não antes de abril.
O problema surgiu logo após um ensaio geral bem-sucedido realizado em fevereiro. Durante a preparação final na plataforma de lançamento 39B, os engenheiros perceberam que o gás hélio não estava chegando ao motor RL-10 do estágio superior do foguete, chamado estágio de propulsão criogênica provisória.
Sem esse fluxo, não seria possível garantir a purga do sistema de combustível criogênico nem manter a pressão adequada para o funcionamento seguro do motor.
Segundo Lori Glaze, administradora associada interina da NASA para a Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração, os dados mostraram rapidamente que não havia como prosseguir com o lançamento.
Os engenheiros decidiram então retornar o foguete ao edifício de montagem para permitir acesso a uma área crítica do veículo que não poderia ser alcançada na plataforma.
Após a inspeção, os técnicos descobriram que o problema estava em uma vedação dentro do sistema de desconexão rápida, um mecanismo projetado para se soltar automaticamente do foguete no momento do lançamento. A vedação havia se deslocado, reduzindo o fluxo de hélio para o sistema.
A peça foi removida e o sistema remontado. Em seguida, as equipes iniciaram testes para confirmar que o fluxo de hélio foi restabelecido corretamente.
Enquanto o foguete permanece no prédio de montagem, outras tarefas de manutenção também estão sendo realizadas. As equipes estão substituindo baterias em diversos sistemas do foguete, incluindo o estágio superior, o estágio central e os propulsores laterais de combustível sólido.
Outro trabalho importante envolve a troca de uma vedação no sistema de alimentação de oxigênio líquido do estágio central. Após a instalação, os engenheiros irão realizar uma série de testes de integridade para garantir que o sistema esteja completamente seguro antes do retorno à plataforma de lançamento.
Além disso, o sistema de terminação de voo, responsável por destruir o foguete em caso de emergência, receberá novas baterias e passará por uma nova rodada completa de testes exigidos pela Força Espacial dos Estados Unidos.
Mesmo depois que o foguete retornar à plataforma, os técnicos ainda precisarão de cerca de uma semana e meia para finalizar os preparativos antes de qualquer tentativa de lançamento.
A janela mais próxima para o voo da Artemis II começa em 1º de abril e se estende até 6 de abril. Caso essa oportunidade não seja aproveitada, novas datas poderão surgir a partir de 30 de abril.
A missão Artemis II será histórica. Será a primeira vez desde a era Apollo, há mais de meio século, que astronautas viajarão além da órbita baixa da Terra.
A tripulação inclui os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do astronauta canadense Jeremy Hansen. Durante a missão de aproximadamente dez dias, eles realizarão um sobrevoo da Lua a bordo da cápsula Orion antes de retornar à Terra.
O voo servirá como teste final do sistema antes de futuras missões tripuladas do programa Artemis, que busca estabelecer presença humana sustentável na Lua.
Nos planos mais recentes anunciados pela NASA, a missão Artemis III não realizará mais o pouso lunar inicialmente previsto. Em vez disso, a missão deverá testar sistemas de acoplamento em órbita com veículos de pouso desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin.
Se o cronograma avançar como planejado, os primeiros pousos humanos da nova era lunar poderão ocorrer a partir de 2028.
Sobre a Imagem: A Lua aparece parcialmente iluminada porque vemos apenas a parte que recebe luz do Sol. As regiões claras mostram crateras e mares lunares, formados por impactos de asteroides há bilhões de anos. Crédito: CC0 Domínio Público.
Fonte: https://phys.org/news/2026-03-nasa-source-artemis-ii-problem.html#:~:text=2026%20Orlando%20Sentinel,0%20%C2%A0a%C3%A7%C3%B5es

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