
Uma equipe internacional de astrônomos realizou observações detalhadas da supernova SN 2022xlp, um raro exemplo de supernova do tipo Iax. Os resultados, divulgados em 9 de setembro no servidor de pré-impressão arXiv, ajudam a esclarecer as propriedades dessa enigmática subclasse de explosões estelares que intrigam os cientistas há mais de duas décadas.
As supernovas do tipo Ia são cruciais para a astronomia, pois funcionam como “velas padrão” que permitem medir distâncias cósmicas e estudar a expansão do universo. Elas geralmente ocorrem em sistemas binários, quando uma anã branca acumula matéria de uma estrela companheira até atingir um ponto crítico e explodir.
No entanto, as supernovas Iax (como a SN 2022xlpo) seguem um caminho diferente: em vez de destruir completamente a estrela, deixam para trás um remanescente estelar. Menos brilhantes e com velocidades de ejeção menores, essas explosões representam apenas uma fração das supernovas observadas e continuam sendo pouco compreendidas.
A descoberta da SN 2022xlp
Detectada em 2022 na galáxia espiral NGC 3938, a cerca de 72 milhões de anos-luz de distância, a SN 2022xlp chamou a atenção por apresentar luminosidade intermediária, uma faixa pouco documentada dentro das Iax. Seu brilho absoluto de -16,04 magnitudes a coloca como a segunda supernova desse tipo com acompanhamento detalhado nessa categoria de luminosidade.
Para investigar suas características, a equipe liderada por Dominik Bánhidi, da Universidade de Szeged, na Hungria, realizou uma campanha intensiva de fotometria e espectroscopia multicolorida, envolvendo telescópios em solo e no espaço. As observações cobriram 73 dias a partir de seis dias após a explosão.
As medições mostraram que a SN 2022xlp compartilha muitas semelhanças com outra supernova Iax intermediária já estudada, a SN 2019muj. A evolução rápida das cores, associada ao resfriamento da fotoesfera, reforça esse padrão. Comparando diferentes supernovas Iax, os cientistas também identificaram que as mais brilhantes apresentam maiores variações de cor ao longo do tempo.
Do ponto de vista energético, a explosão produziu cerca de 0,02 massas solares de níquel radioativo, responsável pelo brilho inicial observado, e ejetou aproximadamente 0,14 massas solares de material estelar. A energia total da explosão foi estimada em cerca de 20 quindecilhões de ergs, enquanto o fluxo bolométrico atingiu impressionantes 887 duodecilhões de erg/s.
Essas medições reforçam a ideia de que as supernovas Iax formam uma família diversa, com propriedades que variam entre explosões muito fracas e eventos de luminosidade intermediária, como a SN 2022xlp. Além disso, os dados detalhados ajudam a compreender melhor os mecanismos de ignição nessas explosões incompletas, oferecendo pistas sobre a evolução das anãs brancas e seu papel no enriquecimento químico das galáxias.
“Cada nova supernova desse tipo observada amplia nosso conhecimento e nos aproxima de desvendar como exatamente essas explosões se iniciam e por que algumas anãs brancas sobrevivem ao processo”, explicou a equipe no artigo.
Sobre a Imagem: SN 2022xlp hospedado por NGC 3938. Esta imagem foi tirada com o telescópio BRC80 no Observatório Astronômico de Baja da Universidade de Szeged. Crédito: Universidade de Szeged.
Link do estudo: https://arxiv.org/abs/2509.07717

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