Um dos maiores mistérios da exploração espacial pode estar mais perto de ser resolvido. Cientistas anunciaram que uma amostra de rocha coletada pelo rover Perseverance, da NASA, no antigo leito de um rio na Cratera de Jezero, contém indícios que podem ser interpretados como uma bioassinatura potencial, ou seja, sinais que podem ter origem biológica. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (4) na revista Nature e já está sendo considerado um marco na busca por vida fora da Terra.

A amostra foi extraída de uma rocha chamada “Cheyava Falls”, em uma região apelidada de Sapphire Canyon, no ano passado. O local é parte da formação geológica Bright Angel, onde o rio Neretva Vallis desaguava em Jezero há bilhões de anos. As análises mostraram que a rocha preserva padrões químicos e minerais que, na Terra, estão frequentemente associados à atividade microbiana.

Segundo os pesquisadores, entre os elementos identificados estão carbono orgânico, fósforo, enxofre e ferro oxidado, além de minerais como vivianita e greigita. Esses compostos podem se formar por processos químicos sem a presença de vida, mas também podem ser resultado de reações biológicas ligadas ao metabolismo microbiano.

O Perseverance, equipado com instrumentos de alta precisão como o PIXL e o SHERLOC, encontrou na superfície da rocha padrões distintos chamados de “manchas de leopardo”. Essas estruturas revelam fronteiras químicas ricas em ferro que lembram processos de transferência de energia entre sedimentos e matéria orgânica.

Na Terra, formações semelhantes são observadas em ambientes ricos em vida microbiana, como turfeiras ou áreas aquáticas em decomposição. Isso levantou a possibilidade de que, em algum momento do passado, microrganismos tenham habitado a região.

Marte mais habitável do que se pensava?

A descoberta surpreendeu os cientistas porque as rochas de Bright Angel são relativamente jovens. Antes, acreditava-se que, se a vida tivesse existido em Marte, os sinais estariam confinados às formações rochosas mais antigas. Isso sugere que o planeta pode ter permanecido habitável por mais tempo do que se imaginava, aumentando as chances de que bioassinaturas ainda estejam preservadas em diferentes camadas do solo marciano.

“A combinação dos compostos encontrados em Jezero indica que Marte pode ter tido fontes abundantes de energia para sustentar microrganismos”, explicou Joel Hurowitz, cientista da missão Perseverance e autor principal do artigo.

Os cientistas, no entanto, fazem questão de frisar que a descoberta não é prova definitiva de vida em Marte. Bioassinaturas potenciais precisam ser validadas por mais experimentos, incluindo a possibilidade de que processos puramente químicos tenham gerado os minerais observados.

“Afirmações sobre vida extraterrestre precisam de evidências extraordinárias”, disse Katie Stack Morgan, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. “Embora explicações abióticas sejam menos prováveis neste caso, elas não podem ser descartadas.”

Atualmente, o Perseverance já coletou 27 amostras de rochas e sedimentos em Jezero, que podem ser trazidas para a Terra em uma futura missão de retorno de amostras. Esse será o verdadeiro divisor de águas, pois laboratórios terrestres poderão analisar as rochas com técnicas impossíveis de realizar em Marte.

Enquanto isso, os dados obtidos estão sendo compartilhados com a comunidade científica global, permitindo que equipes independentes testem hipóteses e refinem os modelos sobre a habitabilidade marciana.

A descoberta reforça a importância da missão Perseverance, que desde 2021 explora Marte em busca de sinais de vida passada. Para a NASA, é mais um passo na longa jornada que poderá, um dia, responder à pergunta que intriga a humanidade há séculos: estamos sozinhos no universo?

Sobre a Imagem: O rover Perceverance da NASA descobriu manchas de leopardo em uma rocha avermelhada apelidada de “Cheyava Falls” na Cratera Jerezo de Marte em julho de 2024. Cientistas acreditam que as manchas podem indicar que, bilhões de anos atrás, as reações químicas nessa rocha podem ter sustentado vida microbiana; outras explicações estão sendo consideradas. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

Fonte: https://www.nasa.gov/news-release/nasa-says-mars-rover-discovered-potential-biosignature-last-year/


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