Assim como um pão ou cheesecake recém-saído do forno, Mercúrio também encolhe e racha à medida que esfria. Mas, no caso do planeta mais próximo do Sol, o processo ocorre em escala cósmica e leva bilhões de anos. Evidências sugerem que, desde sua formação, há cerca de 4,5 bilhões de anos, Mercúrio vem perdendo calor e, com isso, contraindo-se lentamente. O resultado são falhas na superfície (verdadeiras cicatrizes rochosas) que se formam para acomodar essa diminuição de tamanho.

Até hoje, estimativas sobre o quanto o planeta já havia encolhido variavam bastante: de 1 a 7 quilômetros no raio. Agora, um estudo publicado na revista AGU Advances propõe uma nova maneira de medir essa retração e apresenta números mais consistentes. Os pesquisadores Stephan Loveless e Christian Klimczak abandonaram o método tradicional, que dependia da análise do comprimento e do relevo vertical de diversas falhas, e criaram uma abordagem mais simples: usar apenas a maior falha registrada e extrapolar seu efeito para o planeta inteiro.

Testando três conjuntos de dados (com 5.934, 653 e 100 falhas) a nova técnica chegou a resultados praticamente idênticos: entre 2 e 3,5 quilômetros de retração causada diretamente por falhas. Ao somar outros processos de resfriamento que também contribuem para o encolhimento, os cientistas estimam que o raio de Mercúrio tenha diminuído entre 2,7 e 5,6 quilômetros desde que o planeta se formou.

Além de refinar a compreensão da história térmica de Mercúrio, os autores sugerem que a mesma metodologia poderá ser aplicada para investigar a tectônica de outros mundos rochosos, como Marte. Afinal, em qualquer lugar do Sistema Solar, até mesmo planetas podem murchar com o tempo.

Sobre a imagem: Enterprise Rupes, uma grande falha que atravessa a cratera da Bacia de Rembrandt (a grande cratera à direita) na superfície de Mercúrio. Esta falha (e muitas outras semelhantes) pode ter sido resultado do encolhimento do planeta à medida que esfria. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituição Carnegie de Washington.

Link do estudo: https://www.nature.com/articles/s44453-025-00006-9


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