
Astrônomos utilizaram o Telescópio Espacial Hubble para estudar de forma inédita uma galáxia ultradifusa próxima, conhecida como F8D1, revelando uma história de formação estelar surpreendentemente rica e recente. Os dados foram divulgados em 17 de julho no servidor científico arXiv e ajudam a esclarecer o enigma das galáxias gigantes e tênues.
Galáxias ultradifusas (UDGs) são estruturas de baixa densidade com dimensões comparáveis às da Via Láctea, mas com apenas uma fração minúscula de suas estrelas. O motivo de sobreviverem intactas em meio ao campo gravitacional hostil de grandes aglomerados galácticos ainda é um mistério, o que torna o estudo dessas galáxias uma prioridade científica.
F8D1 é um exemplo raro: descoberta em 1998, ela orbita o grupo de galáxias M81, a cerca de 12 milhões de anos-luz da Terra. Usando câmeras de alta resolução do Hubble, pesquisadores liderados por Adam Smercina, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, analisaram regiões centrais e externas da galáxia e reconstruíram sua trajetória de formação estelar nos últimos seis bilhões de anos.
Os dados revelam três fases distintas de formação de estrelas. A mais antiga, há mais de seis bilhões de anos, formou cerca de 80% da população estelar atual. Uma segunda fase, entre dois e 2,5 bilhões de anos atrás, foi mais intensa nas regiões externas da galáxia. Já a mais recente, ocorrida há cerca de 500 milhões de anos, marcou o nascimento de um aglomerado estelar no núcleo da galáxia.
O estudo também mostra que F8D1 interrompeu sua atividade estelar há menos de dois bilhões de anos, sugerindo um desligamento recente de seu processo de formação. Parte significativa da sua massa (estimada em 133 milhões de massas solares) parece agora dispersa em uma corrente de maré com mais de 42 mil anos-luz de extensão.
Essas evidências derrubam a hipótese de que a F8D1 seja uma galáxia “falhada” que nunca conseguiu desenvolver-se plenamente. Em vez disso, ela parece ter evoluído de forma semelhante a outras galáxias, mantendo um ritmo próprio, mais tênue e espaçado no tempo.
O caso da F8D1 destaca a complexidade das UDGs e reforça a ideia de que elas não são anomalias estáticas do cosmos, mas sim testemunhos dinâmicos da evolução galáctica.
Sobre a imagem:Densidade de estrelas do ramo das gigantes vermelhas no Grupo M81, revelando a estrutura global de seu halo estelar e fornecendo contexto de grupo para F8D1 (canto inferior direito) e sua corrente de maré estendida. Norte para cima e Leste para a esquerda. Crédito: arXiv (2025).
Link do estudo:https://arxiv.org/abs/2507.13349

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