
Mais de um ano após seu primeiro voo tripulado, a cápsula Starliner, da Boeing, continua em solo, e sem uma data certa para retomar missões com astronautas. Enquanto isso, a SpaceX se prepara para lançar sua 11ª missão de rotação de tripulação com a Crew Dragon, consolidando seu protagonismo no transporte de humanos ao espaço.
O impasse da Boeing foi detalhado recentemente pela NASA, que avalia um possível retorno da cápsula ao espaço somente em 2026. A missão ainda não está confirmada como tripulada. Durante coletiva de imprensa da missão Crew-11 da SpaceX, o gerente do Programa de Tripulação Comercial da agência, Steve Stich, admitiu que a Starliner pode precisar fazer um voo apenas de carga antes de levar astronautas novamente.
Em junho de 2024, a cápsula chegou à Estação Espacial Internacional no que seria um teste de oito dias, mas acabou ficando três meses acoplada. Vazamentos de hélio e superaquecimento nos propulsores forçaram a NASA a trazer os astronautas de volta com uma Crew Dragon. A cápsula da Boeing retornou sozinha, e desde então passa por modificações.
As correções incluem novos materiais selantes e alterações térmicas na estrutura interna do sistema de propulsão, incluindo a chamada “casinha de cachorro”, o invólucro responsável por abrigar os propulsores e também por reter calor indesejado. Os testes de validação estão sendo realizados em White Sands, no Novo México, com apoio de simulações térmicas e protótipos.
Stich afirmou que, dependendo do desempenho das novas soluções, pode ser necessário realizar uma missão não tripulada para garantir a confiabilidade das mudanças. A decisão final será tomada após os testes de solo previstos para os próximos meses.
Enquanto isso, a SpaceX avança sem interrupções. O lançamento da Crew-11 está programado para 31 de julho, com a cápsula Endeavour realizando seu quinto voo, um recorde para a frota Crew Dragon. A tripulação inclui Zena Cardman, Mike Fincke, Kimiya Yui (JAXA) e Oleg Platonov (Roscosmos), substituindo os astronautas da Crew-10, que retornam à Terra após quatro meses em órbita.
Desde sua missão inaugural em 2020, a Crew Dragon já levou 74 pessoas ao espaço, incluindo voos privados. A Boeing, por outro lado, ainda não concluiu uma missão operacional com astronautas, apesar de ter um contrato de US$ 4,6 bilhões para seis voos. A SpaceX, com um contrato inicial de US$ 2,6 bilhões, já ultrapassou essa marca e soma 14 contratos firmados com a NASA.
Com a ISS programada para ser desativada em 2030, e voos cada vez mais longos (de até oito meses), a necessidade de rotas regulares pode diminuir nos próximos anos. Ainda assim, a NASA estuda usar as naves também como ponte para futuras estações espaciais comerciais, como as desenvolvidas por empresas como Axiom e Blue Origin.
“Ainda estamos dando um passo de cada vez. E o próximo é a Crew-11”, concluiu Stich.
Sobre a imagem: Terra vista da ISS Crédito: CC0 Domínio Público
Fonte: https://phys.org/news/2025-07-delay-boeing-starliner-flight-humans.html

Deixe uma resposta