
Pesquisadores descobriram que a própria superfície da Lua ajuda a proteger sua tênue atmosfera dos efeitos do vento solar. A conclusão vem de um novo estudo baseado em análises de amostras reais coletadas durante a missão Apollo 16, revelando que o regolito lunar, a camada de poeira que cobre a Lua, é muito mais resistente à erosão espacial do que se imaginava.
A Lua não tem uma atmosfera como a da Terra, mas sim uma exosfera: uma camada extremamente fina de gases ao redor do corpo celeste. Até agora, os cientistas acreditavam que o principal processo responsável por alimentar essa exosfera era a chamada pulverização catódica, quando íons do vento solar atingem a superfície lunar e ejetam átomos de sua poeira para o espaço.
O novo estudo, conduzido por cientistas da TU Wien (Áustria) e da Universidade de Berna (Suíça), foi publicado na revista Communications Earth & Environment. Pela primeira vez, os pesquisadores utilizaram amostras reais da superfície lunar para medir diretamente os efeitos da pulverização causada por partículas de vento solar. Eles bombardearam grãos de poeira da Apollo 16 com íons de hidrogênio e hélio em velocidades semelhantes às observadas no espaço.
O resultado surpreendeu: a quantidade de material ejetado foi até dez vezes menor do que o estimado anteriormente por modelos teóricos. Isso significa que a superfície da Lua, por ser extremamente áspera e porosa em escala microscópica, age como uma proteção natural contra a erosão solar.
Imagens obtidas com microscópios eletrônicos mostram que os grãos do solo lunar são irregulares, cheios de reentrâncias e com formatos diversos. Essa “fofura” do regolito impede que as partículas solares atinjam a superfície com força suficiente para ejetar muitos átomos. Além disso, a porosidade ajuda a capturar os íons, tornando-os ineficazes em arrancar material.

Os pesquisadores também realizaram simulações tridimensionais para entender como a textura do solo lunar afeta esse processo. Eles descobriram que a proteção natural da superfície funciona em praticamente toda a Lua, independentemente do ângulo da luz solar ou da latitude.
Essas conclusões reforçam a ideia de que os micrometeoroides, pequenas rochas espaciais que colidem com a Lua diariamente, são na verdade, a principal fonte de gases na exosfera lunar. Isso ajuda a resolver discrepâncias antigas entre modelos teóricos e observações espaciais feitas por sondas e telescópios.
A descoberta é especialmente relevante para futuras missões tripuladas e robóticas, como o programa Artemis da NASA, que pretende retornar à Lua nos próximos anos. Também oferece insights importantes para entender como o vento solar interage com superfícies planetárias sem atmosfera, como as de Mercúrio e de asteroides.
Sobre a imagem em destaque: Lua Créditos: NASA
Link do estudo: https://www.nature.com/articles/s43247-025-02546-0

Deixe uma resposta