Em busca de mundos próximos, astrônomos iniciam análise detalhada do sistema estelar mais próximo do Sol e encontram pista de disco de poeira cinco vezes mais brilhante que o nosso.

O Telescópio Espacial James Webb acaba de dar mais um passo promissor na exploração de mundos fora do Sistema Solar. Em uma nova campanha de observação, astrônomos liderados pelo Caltech realizaram uma busca preliminar por exoplanetas em torno de Alpha Centauri A, uma estrela do sistema estelar mais próximo da Terra, e os resultados iniciais são, no mínimo, intrigantes.

Embora nenhum planeta tenha sido confirmado até agora, a equipe conseguiu estabelecer limites importantes e detectar um disco de poeira denso ao redor da estrela, que pode oferecer pistas sobre a formação planetária ali.

Alpha Centauri é um sistema estelar trinário localizado a cerca de 4,3 anos-luz da Terra. Ele inclui Alpha Centauri A, sua companheira B (ambas semelhantes ao Sol) e Proxima Centauri, que abriga dois exoplanetas confirmados.

Mas detectar planetas em sistemas binários como Alpha Centauri A e B é um enorme desafio, mesmo com um instrumento tão poderoso quanto o James Webb. “A presença de uma segunda estrela pode interferir significativamente tanto na formação quanto na detecção de planetas”, explica o líder do estudo, Aniket Sanghi, estudante de pós-graduação do Caltech.

Além disso, Alpha Cen A é uma estrela antiga, com cerca de 5 bilhões de anos. Isso significa que qualquer planeta gigante que tenha se formado ali já teria perdido grande parte de seu calor original, tornando-o muito mais difícil de ser detectado por sua radiação infravermelha.

Ainda assim, usando coronógrafos do instrumento MIRI do James Webb e técnicas precisas de apontamento, a equipe conseguiu estabelecer limites superiores para a presença de planetas do tamanho de Júpiter em órbitas entre 1,5 e 2 unidades astronômicas da estrela (uma unidade astronômica é a distância da Terra ao Sol).

Como o brilho intenso de Alpha Centauri A dificulta as observações, os cientistas usaram uma técnica chamada “deslocamento cego”, posicionando a estrela exatamente atrás do coronógrafo com a ajuda de uma estrela de referência próxima: Epsilon Muscae, uma gigante vermelha 1.700 vezes mais brilhante que o Sol.

Mesmo assim, a luz residual da estrela companheira Alpha Centauri B ainda interferiu, exigindo métodos complexos de subtração de dados e filtragem para distinguir qualquer sinal fraco de planeta ou poeira.

Além da busca planetária, o estudo também revelou algo surpreendente: a presença de um disco de poeira ao redor de Alpha Centauri A, semelhante ao que temos no Sistema Solar, mas cinco vezes mais brilhante.

Esse disco é composto por partículas liberadas por colisões entre asteroides ou atividade cometária, e pode indicar um sistema dinâmico e potencialmente planetário. Esse tipo de formação é fundamental para entender ambientes de formação planetária e pode representar um indicativo indireto da presença de corpos maiores ainda não detectados.

“Essa é só a primeira olhada em uma das três observações feitas pelo James Webb”, disse Sanghi. “Nos próximos artigos, vamos detalhar melhor as análises e compartilhar mais resultados, há muito mais por vir.”

Os dados fazem parte da pesquisa de doutorado de Sanghi no Laboratório de Tecnologia de Exoplanetas (ETLab) do Caltech, sob orientação de Dimitri Mawet, do Caltech e do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. O trabalho foi publicado no periódico Research Notes of the American Astronomical Society (RNAAS) e faz parte de um esforço contínuo para monitorar e explorar Alpha Centauri como possível lar de mundos semelhantes ao nosso.

Se futuros dados confirmarem a presença de planetas, Alpha Centauri pode se tornar o principal alvo de futuras missões interestelares.

Sobre a imagem: A brilhante estrela dupla Alpha Centauri AB e sua companheira Proxima Centauri. Créditos: ESO/B. Tafreshi/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin/Mahdi Zamani

Fonte: https://iopscience.iop.org/article/10.3847/2515-5172/add880/meta


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