No Dia Nacional do Espaço, a Casa Branca divulgou a proposta orçamentária para o ano fiscal de 2026, trazendo uma notícia alarmante para a comunidade científica e espacial: um corte de 24,3% no orçamento da NASA. A redução faria a agência operar com US$ 18,8 bilhões, uma queda de mais de US$ 6 bilhões em relação ao orçamento de 2025. A decisão acarreta graves conseqüências para programas de exploração espacial, pesquisa climática e a própria infraestrutura da agência.

Entre os programas mais afetados está a Artemis, iniciativa que visa o retorno de astronautas à Lua. A proposta inclui o encerramento antecipado do foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS), da cápsula Orion e da estação orbital lunar Gateway após a missão Artemis III. O governo justifica os cortes com base em altos custos e atrasos crônicos: o SLS, por exemplo, custa cerca de US$ 4 bilhões por lançamento e está 140% acima do orçamento inicial.

O cancelamento da Gateway impacta diretamente colaborações internacionais com Canadá, Europa, Japão e Emirados Árabes Unidos, além de comprometer os planos futuros de pousos lunares com o módulo de alunissagem da Blue Origin e a Starship da SpaceX. A NASA já comunicou seus parceiros sobre a possibilidade do cancelamento, mas as conversas continuam restritas.

Apesar de cortar programas-chave, a proposta direciona mais de US$ 7 bilhões para a exploração lunar e US$ 1 bilhão para novas iniciativas focadas em Marte. Missões humanas ao planeta vermelho são consideradas uma alternativa mais eficiente ao atual plano de retorno de amostras marcianas, que é descrito pela Casa Branca como “muito acima do orçamento”.

Outro impacto significativo será sentido na divisão de ciências da Terra, com um corte de US$ 1,2 bilhão. Essa decisão vem poucos meses após a NASA confirmar que 2024 foi o ano mais quente já registrado. O corte incluiria o cancelamento de satélites de monitoramento climático considerados “de baixa prioridade”, comprometendo a capacidade dos EUA de rastrear mudanças climáticas, incêndios florestais e outros riscos ambientais.

As divisões de ciência espacial também sofreriam prejuízos, com perda de US$ 2,3 bilhões. Organizações como a Sociedade Planetária, a Sociedade Astronômica Americana e a Coalizão para Exploração do Espaço Profundo assinaram uma carta conjunta ao Congresso alertando para as consequências: paralisação de departamentos universitários, demissões e desmantelamento da próxima geração de cientistas e engenheiros.

A Estação Espacial Internacional (ISS) também não ficou imune. A proposta reduz em mais de US$ 500 milhões o financiamento para o posto avançado em órbita. A ideia é acelerar a transição para estações espaciais comerciais até 2030, com menos voos tripulados e menos experiências científicas.

A resposta política à proposta foi imediata. O ex-chefe de gabinete da NASA, George Whitesides, classificou os cortes como “o maior ataque contra a agência na história recente”. A deputada Grace Meng chamou a proposta de “chocante” e alertou para o risco à liderança americana em ciência e tecnologia. Representantes de distritos que abrigam centros da NASA, como o Laboratório de Propulsão a Jato, também se declararam “alarmados”.

Vale lembrar que o orçamento apresentado é apenas uma proposta. A decisão final cabe ao Congresso, que poderá aprovar, rejeitar ou modificar os cortes. Ainda assim, o cenário traçado levanta sérias dúvidas sobre o futuro da exploração espacial e da ciência nos Estados Unidos.

Sobre a imagem: Representação artística da versão do Sistema de Pouso Humano da Starship acoplando-se à nave espacial Orion da NASA em órbita lunar. / Créditos da imagem: SpaceX

Fonte: https://spaceflightnow.com/2025/05/03/proposed-24-percent-cut-to-nasa-budget-eliminates-key-artemis-architecture-climate-research/


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