Um novo estudo liderado por geólogos da Universidade do Colorado em Boulder lança luz sobre um antigo e intrigante mistério: teria Marte, há bilhões de anos, recebido chuva ou neve de forma regular? A pesquisa, publicada no Journal of Geophysical Research: Planets, indica que sim, e que essa precipitação alimentou uma extensa rede de rios e lagos na superfície marciana.

Através de simulações detalhadas de terrenos marcianos e da comparação com dados reais das missões Mars Global Surveyor e Mars Odyssey, os cientistas identificaram padrões de vales que são difíceis de explicar apenas com degelo de calotas polares. As evidências apontam para um cenário no qual chuvas e nevascas foram fundamentais na formação da paisagem que vemos hoje.

“Você vê vales surgindo em muitas elevações diferentes. É difícil explicar isso apenas com gelo”, comenta Amanda Steckel, autora principal do estudo, agora pesquisadora no Caltech.

As simulações mostraram que, com precipitação distribuída, os vales se formam por toda a paisagem, algo que se alinha com o que as sondas detectaram em Marte. Já o modelo baseado apenas em degelo gerou formações restritas a altitudes elevadas.

O debate sobre se Marte foi um planeta quente e úmido ou sempre frio e seco persiste, mas este estudo reforça a hipótese de que o planeta vermelho, em sua juventude, foi mais parecido com a Terra do que se imaginava.

“A erosão causada por água cessou há bilhões de anos, mas a paisagem ficou. Marte congelou no tempo, talvez como a Terra primitiva”, diz Brian Hynek, coautor do estudo e cientista do LASP.

As descobertas não apenas ressignificam a história marciana, como também alimentam o sonho de entender melhor o passado da própria Terra e, quem sabe, a origem da vida.

Link do estudo: https://dx.doi.org/10.1029/2024JE008637

Sobre a imagem: Representação artística da água correndo para a Cratera Jezero, em Marte, que há bilhões de anos abrigava um delta. Créditos: NASA/JPL-Caltech


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