
O Telescópio Espacial James Webb (JWST) começou o ano com uma conquista impressionante: a identificação de 44 estrelas individuais em uma galáxia localizada a cerca de 6,5 bilhões de anos-luz da Terra. Este feito, considerado impossível até recentemente, foi descrito como “uma árvore de Natal cintilante” pelos pesquisadores, devido ao modo como as estrelas aparecem e desaparecem nas imagens capturadas pelo James Webb.
A galáxia em questão, apelidada de “Dragão”, aparece como um longo arco luminoso em imagens obtidas pelo telescópio, graças a um fenômeno conhecido como lente gravitacional. A gravidade do aglomerado de galáxias Abell 370, situado a cerca de 4 bilhões de anos-luz de distância, distorce e amplia a luz da galáxia oculta ao fundo, permitindo que telescópios como o JWST captem detalhes incríveis, como estrelas individuais.
“Eu nunca imaginei que Webb as veria em números tão grandes”, afirmou Rogier Windhorst, astrônomo da Universidade Estadual do Arizona e membro da equipe de descoberta. “Essas estrelas aparecem e desaparecem como vaga-lumes, surpreendendo a todos nós.”
As estrelas descobertas, todas supergigantes vermelhas nos estágios finais de suas vidas, foram identificadas em imagens tiradas em 2022 e 2023. A ampliação gravitacional do Abell 370 permitiu que o Webb captasse variações sutis no brilho dessas estrelas, que se alinharam brevemente com outras estrelas do fundo da galáxia. Esse efeito, somado à tecnologia de ponta do James Webb, proporcionou a observação mais detalhada já registrada em uma galáxia tão distante.
Além de ser um feito tecnológico, a descoberta também abre portas para estudar a matéria escura — um dos grandes mistérios da cosmologia moderna. As variações de brilho das estrelas devido à lente gravitacional fornecem pistas sobre a distribuição de matéria escura no aglomerado Abell 370 e na galáxia do Dragão.
“Foi emocionante perceber que estávamos vendo algo tão distante e detalhado”, disse Fengwu Sun, pós-doutorando no Centro de Astrofísica de Harvard & Smithsonian e coautor do estudo. “Essas estrelas individuais representam um novo horizonte de exploração.”
Os resultados deste estudo foram publicados em 6 de janeiro na revista Nature Astronomy, marcando mais um avanço significativo na capacidade do James Webb de explorar os confins do universo. Este marco não apenas desafia os limites do que é possível observar, mas também reforça o potencial do telescópio em desvendar os mistérios do cosmos.
Com descobertas como esta, o James Webb continua a redefinir o que sabemos sobre o universo, levando-nos mais perto de compreender as galáxias distantes e os fenômenos que moldaram a sua evolução.
Sobre a imagem: Abell 370 apresenta vários arcos de luz, incluindo o “Arco do Dragão”. Créditos da imagem: NASA
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