
Créditos: Thomas Campbell/NASA
Em uma pesquisa abrangente publicada em maio de 2023 na revista Nature, cientistas confirmaram que o núcleo interno da Lua é uma esfera sólida, composta principalmente por ferro, com uma densidade muito semelhante à do núcleo terrestre. Esta descoberta promete encerrar um longo debate sobre a natureza do núcleo lunar e contribuir para uma compreensão mais detalhada da história da Lua e, por consequência, do Sistema Solar.
A investigação foi liderada pelo astrônomo Arthur Briaud, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, que junto com sua equipe, utilizou dados de missões espaciais e experimentos de alcance a laser lunar para criar um perfil detalhado da Lua. Os resultados indicam que, assim como a Terra, a Lua possui um núcleo externo fluido e um núcleo interno sólido. Este núcleo interno tem um raio de cerca de 258 quilômetros, representando aproximadamente 15% do raio total da Lua.
A descoberta do núcleo sólido tem implicações significativas para a compreensão do passado geológico da Lua. Sabemos que a Lua possuía um campo magnético forte logo após sua formação, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Esse campo magnético começou a enfraquecer há aproximadamente 3,2 bilhões de anos, e a composição e dinâmica do núcleo lunar são fatores cruciais para entender por que isso ocorreu. A confirmação da existência de um núcleo sólido ajuda a fortalecer teorias sobre a evolução térmica e magnética da Lua.
Os novos resultados confirmam estudos anteriores, como o liderado por Renee Weber, da NASA Marshall, em 2011, que também sugeriram a existência de um núcleo interno sólido na Lua, com uma densidade próxima a 8.000 quilos por metro cúbico. Essas descobertas combinadas oferecem uma visão mais completa e precisa do interior lunar.
Com as futuras missões lunares planejadas para os próximos anos, incluindo a possibilidade de retornos humanos à superfície lunar, espera-se que novas medições sísmicas possam confirmar e expandir essas descobertas. Isso abriria novas oportunidades para explorar mais profundamente a história geológica da Lua e seu papel no contexto do Sistema Solar.
Essa pesquisa não apenas solidifica nossa compreensão da composição lunar, mas também lança uma nova luz sobre os processos internos que moldaram a Lua ao longo de bilhões de anos. A confirmação de um núcleo interno sólido aproxima a Lua de ser vista como um corpo celestial com dinâmicas internas complexas, semelhante à Terra, mas com suas próprias peculiaridades que ainda precisam ser completamente compreendidas.
Fontes: https://www.nature.com/articles/s41586-023-05935-7
https://www.sciencealert.com/its-official-scientists-confirmed-whats-inside-the-moon

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