
Você já se perguntou como era o tempo no início do universo? Será que ele passava da mesma forma que passa hoje, ou será que ele tinha um ritmo diferente? Essa é uma questão que intriga os cosmólogos há muito tempo, e que agora tem uma resposta surpreendente: o tempo era mais lento no passado.
Isso pode parecer estranho, mas tem uma explicação baseada na teoria da relatividade de Einstein. Segundo essa teoria, o tempo não é absoluto, mas depende do movimento e da gravidade. Quanto mais rápido um objeto se move, ou quanto mais forte é o campo gravitacional que ele sente, mais lento o seu tempo passa em relação a um observador em repouso ou em um campo gravitacional mais fraco. Esse efeito é chamado de dilatação do tempo, e já foi comprovado experimentalmente.
Mas o que isso tem a ver com o universo? Bem, sabemos que o universo está em expansão acelerada, ou seja, as galáxias estão se afastando umas das outras cada vez mais rápido. Isso significa que a luz que vem das galáxias distantes sofre um desvio para o vermelho, ou seja, perde energia e aumenta seu comprimento de onda. Esse desvio para o vermelho também afeta o tempo aparente entre os eventos que ocorrem nessas galáxias. Quanto mais distante uma galáxia está de nós, mais lento parece ser o seu tempo.
Isso implica que, quando olhamos para objetos muito distantes, estamos vendo o universo como ele era há bilhões de anos atrás, quando ele era mais jovem e mais denso. E nesse universo primitivo, o tempo corria em câmera lenta.
Mas como podemos medir esse efeito? Uma forma é usar as supernovas do tipo Ia, que são explosões estelares muito brilhantes e padronizadas. Elas têm um pico de luminosidade constante e uma curva de luz característica, que mostra como elas brilham e desaparecem em um período de tempo semelhante. Comparando as curvas de luz de supernovas próximas e distantes, os astrônomos descobriram que as supernovas distantes têm suas curvas de luz estendidas, ou seja, levam mais tempo para brilhar e desaparecer do que as supernovas próximas. Isso confirma a dilatação do tempo com a distância.
Mas as supernovas não são os únicos objetos que podemos usar para testar esse efeito. Um novo estudo usou os quasares, que são núcleos galácticos ativos alimentados por buracos negros supermassivos nas primeiras galáxias. Eles são chamados de quasares ou objetos quase estelares porque foram descobertos pela primeira vez como pontos brilhantes de luz de rádio. Os quasares não emitem luz em uma única explosão como as supernovas, mas eles têm uma espécie de relógio interno. Devido à velocidade finita da luz, leva um pouco de tempo para que os efeitos percorram o espaço de um quasar. Por causa disso, as flutuações na intensidade de um quasar dependem do tamanho do seu núcleo ativo.
Os pesquisadores analisaram os dados de 900 quasares com desvios para o vermelho entre 0,1 e 6,4, o que corresponde a uma faixa de tempo entre 2 bilhões e 12 bilhões de anos atrás. Eles mediram a variabilidade dos quasares em diferentes escalas de tempo e compararam com os modelos teóricos. Eles descobriram que os quasares mais distantes variam mais lentamente do que os quasares mais próximos, confirmando a dilatação do tempo com a distância.
Esse resultado é importante porque estende a validade do modelo cosmológico padrão para distâncias maiores do que as alcançadas pelas supernovas. Ele também mostra que o tempo era mais lento no início do universo, quando ele era dominado pela matéria e pela radiação. Isso significa que os eventos que ocorreram no universo primitivo duraram mais do que pensávamos, e que o universo tem uma história mais rica e complexa do que imaginávamos.
Fonte: https://www.universetoday.com/162285/the-early-universe-ran-in-slow-motion/
Sobre a imagem: Ilustração de um quasar ativo. Crédito: ESO/M. Kornmesser

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