Missão para salvar telescópio Swift termina sem conseguir elevar sua órbita

A tentativa inédita de salvar o Observatório Neil Gehrels Swift chegou oficialmente ao fim.

A espaçonave robótica LINK, construída pela Katalyst Space para encontrar o telescópio da NASA em órbita, capturá-lo e elevá-lo para uma altitude maior, reentrou na atmosfera terrestre em 25 de setembro.

Ela nunca conseguiu realizar o resgate.

Problemas técnicos surgidos pouco depois do lançamento obrigaram NASA e Katalyst a abandonar o objetivo principal da missão antes que a LINK pudesse capturar o Swift.

Agora, sem um sistema próprio de propulsão capaz de manter sua altitude, o observatório continua descendo lentamente em direção às camadas mais densas da atmosfera.

Mas o Swift ainda está trabalhando.

Depois do fim da tentativa de resgate, a NASA reativou seus instrumentos e retomou as operações científicas enquanto isso ainda é possível.

Em 25 de setembro, o telescópio estava a aproximadamente 325 quilômetros acima da Terra. A expectativa da equipe era que ele alcançasse a região crítica de 300 quilômetros no início ou em meados de outubro.

Abaixo dessa altitude, manter as operações deverá se tornar progressivamente mais difícil.

O Swift foi lançado em novembro de 2004 com uma missão especialmente importante: detectar e estudar explosões de raios gama.

Esses eventos estão entre as explosões mais energéticas conhecidas no Universo.

O observatório foi construído para detectar rapidamente uma dessas explosões e, em questão de minutos, reposicionar seus instrumentos para acompanhar o fenômeno em diferentes comprimentos de onda.

Ao longo de quase 22 anos, porém, sua atuação foi muito além disso.

O Swift estudou explosões estelares, buracos negros, estrelas de nêutrons, cometas, asteroides e vários outros fenômenos transitórios.

O problema que agora ameaça encerrar a missão não está relacionado ao funcionamento de seus instrumentos científicos.

É a órbita.

O observatório está em órbita baixa da Terra.

Mesmo a centenas de quilômetros da superfície, ainda existem partículas da atmosfera terrestre.

Elas produzem um pequeno arrasto sobre os satélites, retirando gradualmente energia de suas órbitas.

No caso de uma espaçonave equipada com um sistema adequado de propulsão, manobras periódicas podem compensar essa perda.

O Swift, porém, não foi projetado com capacidade para elevar sua própria órbita.

O problema se agravou com o aumento da atividade solar.

Quando o Sol está mais ativo, sua radiação aquece as camadas superiores da atmosfera terrestre, fazendo com que elas se expandam.

Isso aumenta a densidade atmosférica encontrada pelos satélites em órbita baixa e, consequentemente, aumenta o arrasto.

A órbita do Swift passou a diminuir mais rapidamente do que se esperava.

Em vez de simplesmente deixar o telescópio reentrar na atmosfera, a NASA enxergou uma oportunidade.

A ideia era enviar outra espaçonave até o Swift, capturá-lo em órbita e empurrá-lo para uma altitude maior.

Em setembro de 2025, a agência concedeu à Katalyst Space um contrato de US$ 30 milhões para tentar realizar a missão.

O cronograma era extraordinariamente curto.

A empresa tinha menos de um ano para projetar, construir, testar e lançar uma espaçonave capaz de encontrar um observatório que nunca havia sido projetado para receber manutenção em órbita.

A espaçonave recebeu o nome de LINK.

Ela possuía três braços robóticos, desenvolvidos para permitir que o veículo encontrasse uma região segura para agarrar o Swift, além de um sistema de propulsão elétrica utilizando xenônio.

Se tudo funcionasse, a LINK se aproximaria do telescópio, realizaria a captura e aumentaria sua altitude.

A LINK chegou ao espaço

A missão foi lançada em 3 de julho de 2026, a partir do Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall.

A LINK viajou em um foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman, lançado no ar a partir da aeronave Stargazer.

A espaçonave alcançou a órbita e iniciou suas verificações.

Foi então que os problemas começaram.

A LINK passou a sofrer perdas intermitentes de comunicação e apresentou problemas no sistema responsável por controlar sua orientação.

Esse segundo problema era especialmente grave.

Uma espaçonave que pretende se aproximar de outro objeto e agarrá-lo precisa controlar com extrema precisão sua posição e orientação.

Sem essa capacidade funcionando de maneira confiável, tentar capturar o Swift poderia colocar os dois veículos em risco.

Durante semanas, as equipes da Katalyst e da NASA tentaram solucionar os problemas.

Em agosto, porém, ficou claro que a missão original não poderia prosseguir.

Em 19 de agosto, a NASA anunciou oficialmente que a LINK não tentaria mais capturar nem elevar o Swift.

O objetivo passou a ser aproveitar o tempo restante da espaçonave para realizar demonstrações tecnológicas.

A LINK testou componentes de seu sistema de propulsão e dos braços robóticos e realizou operações destinadas a gerar experiência para futuras missões comerciais de manutenção em órbita.

Ela também conseguiu chegar relativamente perto do próprio Swift.

Em uma das aproximações, a LINK passou a aproximadamente 12 a 15 quilômetros do observatório e conseguiu fotografá-lo como um pequeno traço luminoso.

Mas não houve tentativa de captura.

A participação formal da NASA na missão terminou em 3 de setembro.

Em 25 de setembro, menos de três meses depois do lançamento, a LINK reentrou na atmosfera terrestre.

Havia outro problema acontecendo simultaneamente.

Enquanto a LINK estava sendo construída, o Swift continuava perdendo altitude.

Os controladores precisavam ganhar tempo.

E fizeram isso de uma maneira incomum: mudando a orientação do telescópio para reduzir o arrasto atmosférico.

Normalmente, a equipe envia diariamente uma programação indicando quais objetos astronômicos o Swift deverá observar.

Em dezembro de 2025, aproximadamente 25% desses alvos começaram a ser substituídos por posições no céu que permitiam manter o observatório em uma orientação mais favorável aerodinamicamente.

Em fevereiro de 2026, a estratégia passou a dominar completamente as operações.

Isso teve um preço.

De meados de fevereiro até o final de agosto, o Swift deixou de realizar suas observações científicas direcionadas normais.

O objetivo naquele momento era preservar a órbita pelo maior tempo possível para dar à LINK uma oportunidade de alcançá-lo.

Orientar o Swift não era tão simples quanto colocar a menor área possível da espaçonave contra o fluxo atmosférico.

Existiam limitações.

O telescópio não poderia apontar muito próximo da Terra, da Lua ou do Sol porque o excesso de luz poderia aquecer e danificar seus instrumentos.

Ao mesmo tempo, algumas orientações que reduziriam ainda mais o arrasto colocariam os telescópios em uma posição desfavorável em relação às partículas da alta atmosfera.

Os controladores precisaram encontrar um equilíbrio.

E conseguiram.

A estratégia manteve o Swift acima da região crítica de aproximadamente 300 quilômetros por vários meses adicionais.

Esse tempo extra não foi suficiente para salvar o observatório porque a LINK acabou apresentando seus próprios problemas.

Mas a técnica desenvolvida pela equipe poderá ser aplicada a outras missões no futuro.

Quando ficou claro que a tentativa de elevar sua órbita não aconteceria, a prioridade mudou novamente.

Já não havia razão para sacrificar a ciência para preservar uma oportunidade de captura que havia deixado de existir.

A NASA começou então a reativar o observatório.

No final de agosto, o Telescópio de Raios X e o Telescópio Ultravioleta/Óptico voltaram a realizar observações científicas.

Depois veio o terceiro instrumento.

Em 18 de setembro, a equipe confirmou que o Burst Alert Telescope, responsável pela detecção de explosões de raios gama, estava novamente calibrado e coletando dados.

E, em 21 de setembro, outra capacidade fundamental retornou.

O Swift voltou a se reposicionar automaticamente quando detecta uma nova explosão de alta energia.

Essa é uma das características que tornaram o observatório tão importante.

Quando o Burst Alert Telescope identifica uma explosão de raios gama, o Swift pode interromper sua programação e apontar rapidamente os telescópios de raios X e ultravioleta/óptico para o evento.

Portanto, mesmo depois do fracasso da missão de resgate, o observatório voltou a utilizar seus três instrumentos científicos.

Existe uma consequência inevitável.

A orientação utilizada para preservar a órbita não era a melhor para fazer ciência.

Agora que o Swift voltou às operações normais e retomou seus movimentos automáticos, ele também voltou a experimentar mais arrasto.

Em 25 de setembro, sua altitude estava em aproximadamente 325 quilômetros.

A equipe estimava que o observatório chegaria à região de 300 quilômetros no início ou em meados de outubro.

Abaixo desse ponto, controlar a espaçonave se torna progressivamente mais difícil e as observações científicas provavelmente precisarão ser encerradas.

Isso não significa que o Swift necessariamente reentrará na atmosfera exatamente quando cruzar os 300 quilômetros.

Esse valor representa uma região operacional crítica, não uma altitude de reentrada.

A NASA continua afirmando que, sem uma intervenção, a reentrada deverá ocorrer até o final de 2026.

A data exata é difícil de prever com antecedência porque a taxa de perda orbital depende das condições da atmosfera superior, que são fortemente influenciadas pela atividade solar.

O objetivo principal era claro: capturar o Swift e aumentar sua órbita.

Isso não aconteceu.

Portanto, a missão LINK não conseguiu salvar o observatório.

Mas isso não significa que nenhum resultado tenha sido obtido.

Em menos de um ano, uma empresa desenvolveu, construiu, testou e lançou uma espaçonave robótica destinada a realizar manutenção em um satélite que nunca havia sido projetado para isso.

A LINK alcançou o espaço, realizou operações em órbita, testou tecnologias de propulsão e robótica e chegou às proximidades do Swift.

A NASA também precisou desenvolver novos procedimentos para avaliar riscos e tomar decisões em um cronograma muito mais curto do que aquele utilizado normalmente em grandes missões científicas.

Essa experiência poderá ser útil em futuras missões de manutenção, reparo, reabastecimento ou reposicionamento de satélites em órbita.

O fim do Swift agora parece inevitável.

Mas o observatório ainda não terminou sua missão.

Enquanto sua altitude permitir, ele continuará observando o céu.

Depois de quase 22 anos no espaço, seus instrumentos continuam funcionando e novamente estão procurando explosões de raios gama, fontes de raios X e outros fenômenos transitórios.

O que encerra a missão não é uma falha científica do telescópio.

É a física de permanecer em órbita baixa sem capacidade de elevar sua própria altitude.

A tentativa de mudar esse destino falhou.

Mas, enquanto continua descendo, o Swift está fazendo aquilo para o qual foi construído em 2004:

observar um Universo que muda a todo instante, até que sua própria órbita não permita mais.

Sobre a Imagem: Nesta ilustração conceitual, o Observatório Neil Gehrels Swift da NASA orbita a Terra.

Créditos da Imagem: Laboratório de Imagens Conceituais do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA.

Artigo: https://science.nasa.gov/missions/swift/nasa-highlights-lessons-learned-from-swift-boost-mission/?utm_source

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