Curiosity encontra pequenas depressões em Marte que intrigam cientistas

Depois de 14 anos explorando Marte, o rover Curiosity ainda encontra estruturas que surpreendem sua equipe científica. Desta vez, são pequenas depressões largas e rasas espalhadas pelo leito rochoso durante sua subida pelo Monte Sharp, no interior da Cratera Gale.

A própria equipe da missão afirma que essas estruturas são diferentes de praticamente tudo o que o Curiosity encontrou anteriormente. A NASA divulgou as observações em 3 de setembro, depois que as cavidades apareceram em duas áreas examinadas pelo rover.

Elas não são grandes. Uma das depressões fotografadas de perto possui cerca de 1 centímetro de diâmetro. O que chama a atenção não é o tamanho, mas sua forma e a ausência de uma explicação evidente para sua origem.

Cavidades em rochas marcianas não são necessariamente misteriosas.

Em alguns casos, pequenos nódulos ou fragmentos minerais permanecem presos na rocha enquanto o material ao redor sofre erosão. Quando esses componentes finalmente se desprendem, deixam uma cavidade.

A equipe procurou sinais desse processo nas novas estruturas, mas encontrou um problema.

As depressões são mais largas e rasas do que aquelas normalmente associadas a esse mecanismo, e os pesquisadores não identificaram nas proximidades os fragmentos que poderiam ter ocupado os espaços anteriormente.

Isso não significa que o Curiosity tenha descoberto um processo geológico desconhecido. Até o momento, a NASA simplesmente não estabeleceu qual mecanismo produziu as cavidades.

Para investigar melhor, a equipe decidiu transformar o próprio terreno em um objeto de estudo detalhado.

O instrumento MAHLI, uma câmera instalada na extremidade do braço robótico, foi utilizado para observar as depressões de perto.

Uma das imagens divulgadas foi produzida em 19 de agosto de 2026, durante o sol 4.989 da missão. O MAHLI combinou fotografias obtidas em diferentes posições de foco para produzir uma visão detalhada da pequena estrutura.

A equipe também utilizou a Mastcam para produzir pares de imagens estereoscópicas.

A técnica permite reconstruir a superfície em três dimensões e medir características como largura, profundidade e geometria das depressões. Essas informações poderão ajudar os geólogos a determinar se elas estão relacionadas à erosão, às propriedades da própria rocha ou a algum outro processo.

A investigação ainda está em andamento.

As cavidades aparecem em um momento particularmente interessante da missão.

O Curiosity está atravessando o Valle Grande, um amplo vale na encosta do Monte Sharp. Durante a subida, o rover passa sucessivamente por diferentes camadas de rocha, permitindo aos pesquisadores comparar sua composição, textura e resistência à erosão.

Recentemente, a missão também investigou terrenos com estruturas semelhantes a uma rede, conhecidas como boxwork. Essas formações possuem fraturas preenchidas por minerais mais resistentes, possivelmente relacionadas à circulação de água subterrânea no passado remoto de Marte.

Agora, o rover continua avançando pelas unidades sedimentares do Monte Sharp e encontrando mudanças perceptíveis mesmo entre camadas próximas.

A equipe relatou, por exemplo, rochas acinzentadas e mais ásperas que parecem resistir à erosão de maneira diferente das camadas vizinhas. Instrumentos do Curiosity estão analisando a composição química desse material para tentar descobrir a origem dessas diferenças.

O Monte Sharp é uma montanha de aproximadamente 5 quilômetros de altura que se ergue no centro da Cratera Gale. Suas sucessivas camadas de rocha preservam diferentes capítulos da história geológica marciana.

É justamente por isso que o Curiosity sobe a montanha desde 2014.

Em vez de analisar apenas um ponto da superfície, o rover atravessa camadas formadas ou modificadas em diferentes períodos. A composição mineral e química dessas rochas ajuda os pesquisadores a reconstruir como as condições ambientais da região mudaram com o tempo.

Essa estratégia está diretamente relacionada a uma das principais questões investigadas pela missão: como Marte passou de um planeta que teve ambientes com água líquida para o mundo frio e árido que conhecemos atualmente.

E o Curiosity acaba de alcançar um marco nessa jornada.

Em 26 de agosto, a NASA anunciou que o rover havia acumulado 1 quilômetro de ganho de altitude em relação ao seu local de pouso na Cratera Gale.

A missão também atingiu nesta semana outra marca simbólica: 5 mil dias marcianos de operações. Mesmo depois desse tempo, o rover continua avançando e analisando novas camadas do Monte Sharp.

Por enquanto, não existe uma resposta definitiva para as pequenas depressões encontradas no leito rochoso.

Elas podem estar relacionadas à maneira como determinados materiais foram removidos pela erosão, às características físicas das rochas ou a algum processo que ainda precisa ser identificado naquele contexto geológico.

Os dados obtidos pelo MAHLI, Mastcam e demais instrumentos deverão permitir comparações com outras rochas encontradas durante a subida.

É justamente esse contexto que torna estruturas de apenas alguns milímetros ou centímetros cientificamente interessantes.

O Curiosity não está procurando simplesmente objetos estranhos em Marte. Cada mudança na textura, composição ou resistência das rochas pode preservar informações sobre os processos que transformaram a Cratera Gale ao longo de bilhões de anos.

Depois de 14 anos e 5 mil dias marcianos de exploração, algumas dessas informações ainda aparecem na forma de pequenos mistérios no caminho do rover.

Sobre a Imagem: Pequena depressão observada pelo rover Curiosity em 19 de agosto de 2026 no leito rochoso da Cratera Gale, em Marte. A cavidade tem aproximadamente 1 centímetro de diâmetro e faz parte de um conjunto de estruturas largas e rasas cuja origem está sendo investigada pela equipe científica da missão.. Créditos da Imagem: (NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Fonte: https://www.sciencealert.com/nasa-found-strange-holes-on-mars-scientists-arent-sure-what-made-them

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