
Em poucas semanas, a NASA dará início a uma das missões científicas mais importantes da astronomia moderna com o lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman.
Projetado para observar grandes áreas do céu com rapidez e alta resolução, o Roman permitirá que os cientistas investiguem alguns dos maiores mistérios do Universo, como a natureza da energia escura, a distribuição da matéria escura e a população de exoplanetas da Via Láctea.
Batizado em homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman, considerada a “mãe do Hubble” por seu papel fundamental no desenvolvimento da astronomia espacial da NASA, o observatório tem lançamento previsto para o final de agosto.
Enquanto o Telescópio Espacial James Webb foi desenvolvido para estudar objetos individuais com riqueza de detalhes, o Roman foi projetado para fazer o oposto: observar enormes regiões do céu de uma só vez.
Seu campo de visão será cerca de 100 vezes maior que o do Hubble, mantendo praticamente a mesma resolução.
Isso permitirá mapear o Universo aproximadamente 1.000 vezes mais rápido do que o Hubble, realizando em poucos anos observações que levariam séculos com o telescópio lançado em 1990.
Durante seus cinco primeiros anos de operação, o Roman deverá observar:
- Mais de 100 mil exoplanetas;
- Dezenas de bilhões de estrelas;
- Bilhões de galáxias.
O Roman ficará posicionado no ponto de Lagrange L2, localizado a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra, o mesmo ambiente onde opera o James Webb.
Nesse ponto, as atrações gravitacionais da Terra e do Sol se equilibram, proporcionando um ambiente ideal para observações astronômicas contínuas.
Como não será possível realizar missões de manutenção, todos os seus sistemas precisaram ser projetados para funcionar durante anos em condições extremas de frio, radiação e vácuo.
Grande parte desses sistemas foi desenvolvida pela empresa L3Harris Technologies, responsável pelo conjunto óptico do telescópio, pelos sistemas de comunicação, sensores de orientação e diversos componentes eletrônicos.
O Roman realizará três grandes levantamentos científicos.
O primeiro será dedicado à busca por exoplanetas utilizando a técnica da microlente gravitacional, concentrando-se principalmente na região central da Via Láctea.
A expectativa é descobrir cerca de 100 mil novos mundos, incluindo planetas de baixa massa, planetas em órbitas distantes e até mesmo planetas errantes, que não orbitam nenhuma estrela.
O segundo levantamento mapeará aproximadamente 12% de todo o céu em menos de 18 meses para estudar como a matéria escura está distribuída pelo Universo e medir com grande precisão a expansão cósmica.
Já o terceiro acompanhará milhares de supernovas distantes, algumas cuja luz começou sua viagem há cerca de 8 bilhões de anos, permitindo reconstruir a história da expansão do Universo e investigar o comportamento da energia escura ao longo do tempo.
Além do instrumento principal de grande campo, o Roman também levará um coronógrafo.
Esse equipamento bloqueia o brilho intenso das estrelas para permitir a observação direta de objetos muito mais fracos ao seu redor, como exoplanetas e discos de poeira.
Embora também produza resultados científicos, sua principal função será testar tecnologias que deverão ser utilizadas futuramente pelo Observatório de Mundos Habitáveis, missão planejada pela NASA para obter imagens diretas de planetas semelhantes à Terra.
O Roman complementará outros grandes observatórios em operação, como o James Webb, a missão Euclid e o Observatório Vera C. Rubin.
Enquanto esses telescópios investigam diferentes aspectos do Universo, o Roman fornecerá um mapa extremamente detalhado do céu, identificando objetos e fenômenos que poderão ser estudados posteriormente por outros observatórios.
Combinando velocidade, resolução e um enorme campo de visão, a missão promete transformar nossa compreensão sobre a evolução das galáxias, a formação dos sistemas planetários e a própria estrutura do Universo.
Sobre a Imagem: A engenheira óptica Bente Eegholm realiza uma inspeção no espelho primário do Roman. A foto foi tirada logo após o espelho ser retirado do contêiner de transporte. Crédito da Imagem: NASA/Chris Gunn.