
O Reino Unido deu mais um passo para participar de uma das missões espaciais mais ambiciosas das próximas décadas. A Agência Espacial do Reino Unido anunciou um investimento de 1 milhão de libras esterlinas ( cerca de 7,5 milhões de reais ) no Centro de Tecnologia Astronômica do Reino Unido (UK ATC), em Edimburgo, para o desenvolvimento de tecnologias que poderão integrar o futuro Observatório de Mundos Habitáveis (Habitable Worlds Observatory – HWO), da NASA.
Previsto para ser lançado na década de 2040, o observatório terá como principal objetivo identificar planetas potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar e analisar suas atmosferas em busca de possíveis bioassinaturas químicas, substâncias que podem indicar a presença de processos biológicos.
O UK ATC, localizado no Observatório Real de Edimburgo, liderará parte do desenvolvimento dos instrumentos científicos da missão em parceria com o STFC RAL Space e um consórcio de universidades britânicas.
Entre as tecnologias em desenvolvimento está um espectrógrafo multiobjeto, capaz de obter espectros de dezenas de alvos astronômicos ao mesmo tempo. Esse tipo de instrumento permite analisar a composição química da luz emitida ou refletida por diferentes objetos celestes de forma muito mais eficiente.
Outra frente de trabalho envolve um sistema de imageamento de alto contraste, essencial para observar diretamente exoplanetas extremamente tênues próximos de suas estrelas. Como esses planetas são bilhões de vezes menos brilhantes do que suas estrelas hospedeiras, separar a luz de ambos representa um dos maiores desafios da astronomia moderna.
O centro também lidera o projeto de um espectrógrafo de infravermelho próximo destinado ao sistema coronográfico do observatório. O coronógrafo bloqueia a intensa luz da estrela, permitindo que instrumentos científicos detectem a fraca luz refletida pelos planetas ao seu redor. A análise dessa luz poderá revelar a composição química das atmosferas desses mundos.
Segundo o diretor do UK ATC, Christophe Dumas, o financiamento permitirá que pesquisadores e engenheiros britânicos contribuam para responder a uma das maiores perguntas da ciência: se existe vida além da Terra.
Além do avanço científico, Dumas destaca que a participação na missão também fortalece a indústria espacial britânica ao estimular inovação tecnológica e novas parcerias internacionais.
A chefe de Ciências Espaciais da Agência Espacial do Reino Unido, Caroline Harper, afirmou que o Observatório de Mundos Habitáveis exigirá importantes avanços tecnológicos para atingir seus objetivos e que o investimento permitirá ao Reino Unido liderar o desenvolvimento de um de seus instrumentos científicos.
O Habitable Worlds Observatory é considerado o sucessor científico das grandes missões espaciais da NASA, como os telescópios Hubble e James Webb. Enquanto o Webb investiga a formação das primeiras galáxias e estuda atmosferas de exoplanetas, o HWO será projetado especificamente para buscar mundos semelhantes à Terra e procurar possíveis sinais de vida em suas atmosferas.
Sobre a imagem: O Observatório Real de Edimburgo é uma instituição astronômica localizada em Blackford Hill, em Edimburgo, Escócia, Reino Unido. O Observatório realiza pesquisas astronômicas e oferece ensino universitário, projeta e gerencia projetos, constrói instrumentos e telescópios para observatórios astronômicos, treina professores em astronomia e realiza atividades de divulgação científica.