Após quase um século, astrônomos encontram a possível companheira de Betelgeuse

Após quase um século de suspeitas, astrônomos conseguiram obter a imagem mais nítida já registrada da possível estrela companheira de Betelgeuse, a famosa supergigante vermelha da constelação de Órion.

A descoberta foi feita com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), utilizando observações realizadas em 2024. A nova estrela recebeu a designação Betelgeuse B e o apelido Siwarha.

Se a descoberta for confirmada por novas observações, ela ajudará a explicar parte do comportamento incomum de Betelgeuse observado nas últimas décadas.

Betelgeuse é uma das estrelas mais conhecidas do céu noturno.

Localizada entre 400 e 550 anos-luz da Terra, ela possui cerca de 14 vezes a massa do Sol e está em uma fase avançada de sua evolução como supergigante vermelha.

Apesar de ser relativamente jovem, com menos de 10 milhões de anos, sua elevada massa faz com que evolua rapidamente. Os astrônomos estimam que ela deverá explodir como supernova em algum momento dos próximos 100 mil anos.

Por ser extremamente brilhante e apresentar variações naturais de luminosidade, Betelgeuse sempre dificultou a busca por uma possível companheira.

Usando o instrumento SPHERE, instalado no VLT, os pesquisadores empregaram técnicas de óptica adaptativa extrema e processamento avançado de imagens para separar a luz intensa de Betelgeuse da possível estrela ao seu redor.

Segundo o líder da pesquisa, Miguel Montargès, a equipe não esperava que a companheira fosse tão massiva.

As novas observações indicam que Betelgeuse B possui entre 2,6 e 3,1 massas solares, valor significativamente maior do que estimativas anteriores, que sugeriam uma massa semelhante à do Sol.

A descoberta surpreendeu até os próprios pesquisadores.

Em 2019, Betelgeuse chamou a atenção do mundo quando sofreu um escurecimento incomum, levantando especulações de que a estrela poderia estar prestes a explodir como supernova.

Posteriormente, observações do Telescópio Espacial Hubble mostraram que o fenômeno provavelmente foi causado pela ejeção de grandes quantidades de material da superfície da estrela. Esse material esfriou, formando uma nuvem de poeira que bloqueou parte da sua luz.

Os pesquisadores também investigaram a possibilidade de grandes manchas estelares contribuírem para essa redução de brilho.

Agora, novas observações do Hubble indicam a presença de um rastro de gás denso circulando pela atmosfera de Betelgeuse, possivelmente provocado pela passagem de sua companheira durante a órbita.

Embora as imagens representem a evidência mais forte já obtida da existência de Betelgeuse B, os astrônomos ainda pretendem realizar novas observações.

A ideia é acompanhar o movimento da estrela ao longo da órbita para confirmar definitivamente que ela está gravitacionalmente ligada a Betelgeuse.

Outros observatórios, como o Gemini Norte, também deverão participar desse acompanhamento.

Segundo os pesquisadores, há pouca margem para dúvida, mas a confirmação dependerá das próximas observações.

Uma das questões que permanece em aberto é como essa companheira poderá influenciar a futura explosão de Betelgeuse.

Quando a supergigante vermelha atingir o fim de sua vida, ela deverá perder enormes quantidades de massa antes de colapsar e explodir como uma supernova.

O núcleo remanescente poderá formar uma estrela de nêutrons ou até um buraco negro.

Ainda não se sabe se Betelgeuse B sobreviverá a essa explosão ou será destruída durante o evento.

Por enquanto, os astrônomos continuarão monitorando o sistema para compreender melhor a interação entre as duas estrelas e o papel que essa companheira poderá desempenhar na evolução de uma das estrelas mais famosas do céu.

Sobre a Imagem: Betelgeuse é a estrela supergigante vermelha no ombro de Órion. Por décadas, os astrônomos suspeitaram que Betelgeuse tivesse uma estrela companheira orbitando ao seu redor. A imagem inserida no centro desta figura foi obtida em janeiro de 2019 com o instrumento SPHERE do VLT do ESO e mostra a própria Betelgeuse. A imagem inserida à esquerda foi obtida em dezembro de 2024, quando se previa que a companheira estaria mais distante de Betelgeuse vista da Terra. Nesta imagem inserida, Betelgeuse foi removida, revelando uma fonte (marcada com uma cruz) consistente com Betelgeuse B. Créditos da Imagem: ESO/M. Montargès et al. Imagem de fundo: N. Rissinger (skysurvey.org).

Fonte: https://www.eso.org/public/news/eso2611/

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