Nova missão pode inaugurar a era do reparo de satélites em órbita

Pela primeira vez, uma missão comercial tentará resgatar um observatório científico da NASA que está perdendo altitude e corre o risco de reentrar na atmosfera terrestre.

No dia 3 de julho de 2026, a espaçonave robótica LINK, desenvolvida pela empresa Katalyst Space Technologies, foi lançada com a missão de capturar o Observatório Neil Gehrels Swift e levá-lo para uma órbita mais alta, prolongando sua vida útil.

Se a operação for bem-sucedida, ela poderá representar um importante passo rumo a um futuro em que satélites deixem de ser equipamentos descartáveis e passem a ser reparados e reutilizados em órbita.

Durante décadas, a solução para satélites antigos era simples: quando acabavam o combustível ou apresentavam falhas, eram substituídos por novos.

Hoje, porém, essa estratégia se tornou um problema.

A órbita terrestre está cada vez mais congestionada por satélites ativos, espaçonaves desativadas e fragmentos de colisões anteriores.

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), existem mais de 1,2 milhão de detritos espaciais maiores que um centímetro orbitando a Terra.

Mesmo objetos desse tamanho podem perfurar satélites em funcionamento devido às altíssimas velocidades orbitais.

Por isso, aumentar a vida útil dos satélites e remover objetos antigos do espaço tornou-se uma prioridade para a comunidade espacial.

Lançado em 2004, o Observatório Neil Gehrels Swift foi projetado para detectar explosões de raios gama, alguns dos eventos mais energéticos do Universo.

Ao longo de mais de duas décadas, ele também realizou importantes observações de buracos negros, estrelas de nêutrons, supernovas e diversos outros fenômenos astronômicos.

Agora, entretanto, sua órbita vem diminuindo lentamente devido ao arrasto exercido pela tênue atmosfera terrestre.

Sem intervenção, o telescópio acabará reentrando na atmosfera e será destruído.

A missão da LINK é impedir que isso aconteça.

À primeira vista, pode parecer que basta aproximar uma nave do telescópio e prendê-lo.

Na prática, essa é uma das operações mais difíceis já realizadas no espaço.

O Swift nunca foi projetado para ser capturado.

Ele não possui pontos de acoplamento padronizados, marcadores visuais para navegação nem estruturas específicas para receber uma nave de serviço.

Além disso, um satélite inativo pode girar lentamente ou até tombar de maneira imprevisível.

Isso transforma a captura em uma operação conhecida como captura não cooperativa, uma das tarefas mais complexas da engenharia espacial.

Para realizar a missão, a LINK utiliza câmeras, sensores a laser e sistemas de navegação capazes de determinar com extrema precisão a posição, a velocidade e a orientação do Swift.

Após sincronizar seu movimento com o do telescópio, a espaçonave deverá aproximar lentamente um braço robótico.

O contato precisa ser extremamente suave.

Um impacto muito forte poderia empurrar o Swift para longe ou fazer ambas as espaçonaves perderem estabilidade.

Por isso, o braço robótico trabalha em conjunto com os propulsores da nave, compensando continuamente qualquer movimento inesperado durante a captura.

Satélites mais modernos começam a ser construídos com estruturas específicas para esse tipo de operação.

Esses pontos de acoplamento funcionam como um gancho de reboque, facilitando futuras missões de manutenção.

Com eles, a nave de serviço sabe exatamente onde prender o satélite e pode confiar que aquela estrutura suportará os esforços mecânicos da operação.

O Swift pertence a uma geração anterior e não possui esse recurso, tornando o desafio muito maior.

A missão da LINK faz parte de uma tendência crescente de transformar satélites em equipamentos reparáveis.

Um exemplo é o Mission Extension Vehicle (MEV), da Northrop Grumman, que já prolongou a vida útil de satélites de comunicação ao assumir temporariamente sua propulsão.

Outras missões estão a caminho.

A empresa Astroscale desenvolve o ELSA-M, projetado para capturar satélites preparados com placas magnéticas de acoplamento.

Já a missão ClearSpace-1, da Agência Espacial Europeia, prevista para 2029, tentará capturar o satélite Proba-1, que nunca foi projetado para esse tipo de operação, e conduzi-lo à reentrada controlada na atmosfera.

Mais do que salvar um único telescópio, a missão da LINK pode representar uma mudança na forma como a humanidade utiliza o espaço.

Em vez de abandonar satélites antigos e lançar substitutos constantemente, futuras espaçonaves poderão ser projetadas desde o início para serem reabastecidas, reparadas e até reposicionadas em órbita.

Se essa abordagem se consolidar, ela poderá reduzir significativamente a quantidade de lixo espacial e tornar as operações orbitais mais sustentáveis nas próximas décadas.

Agora, todas as atenções estão voltadas para a LINK. Nas próximas semanas, a espaçonave tentará realizar uma das manobras mais delicadas da história da exploração espacial: capturar um telescópio que nunca foi construído para ser resgatado.

Sobre a Imagem:A imagem revela a crescente quantidade de satélites e detritos espaciais ao redor da Terra. Esse acúmulo aumenta o risco de colisões em órbita, tornando o monitoramento e a remoção do lixo espacial desafios cada vez mais importantes para as futuras missões espaciais. Crédito da Imagem: Pixabay/CC0 Domínio Público.

Fonte:https://phys.org/news/2026-07-satellites-harder-space-junk-problem.html

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