
A NASA divulgou novos detalhes sobre a missão Artemis III, uma etapa fundamental antes do retorno de astronautas à superfície da Lua. Prevista para 2027, a missão não realizará um pouso lunar, mas servirá como um grande ensaio geral para validar as operações que serão utilizadas nas futuras missões tripuladas.
Pela primeira vez, a agência espacial pretende testar, em órbita terrestre, o encontro e o acoplamento entre a cápsula Orion e dois sistemas comerciais de pouso lunar desenvolvidos por empresas diferentes: a Starship HLS, da SpaceX, e o Blue Moon Mark 2, da Blue Origin.
Segundo a NASA, os testes permitirão verificar a integração entre as espaçonaves, validar sistemas de navegação, comunicações, software e procedimentos operacionais, além de aumentar a segurança antes das futuras missões de pouso na Lua.
A Artemis III exigirá uma das campanhas de lançamento mais complexas já realizadas.
Primeiro, a Blue Origin lançará um protótipo do módulo de pouso Blue Moon utilizando um foguete comercial. A espaçonave permanecerá em órbita por até 30 dias, período durante o qual serão realizados testes de funcionamento e verificações de todos os seus sistemas.
Em seguida, a NASA lançará a cápsula Orion com astronautas a bordo utilizando o foguete Space Launch System (SLS) a partir do Complexo de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy.
Após o encontro entre Orion e Blue Moon, será a vez da SpaceX lançar um protótipo da Starship HLS, baseado na futura Starship Versão 3, para realizar uma segunda etapa de testes de aproximação e acoplamento.
Essa sequência permitirá que as equipes pratiquem operações semelhantes às que ocorrerão durante as futuras missões lunares.
Durante a missão, a Orion permanecerá em órbita terrestre e realizará duas operações independentes de encontro e acoplamento.
Na primeira, a cápsula se conectará ao módulo Blue Moon.
Diferentemente do modelo da SpaceX, o sistema da Blue Origin utiliza uma porta de acoplamento instalada na lateral da cabine da tripulação.
Dois astronautas abrirão a escotilha da Orion e entrarão no interior do módulo Blue Moon utilizando os mesmos trajes de sobrevivência usados durante o lançamento.
Embora o módulo seja um protótipo, ele contará com diversos sistemas semelhantes aos que serão utilizados na versão operacional, incluindo aviônicos, software de voo e parte do sistema de suporte à vida.
A missão também transportará um simulador de massa de traje espacial equipado com sensores para registrar temperatura, vibração, aceleração e outras condições ambientais dentro da cabine.
Na segunda etapa da missão, a Orion realizará um novo acoplamento, desta vez com uma versão de testes da Starship HLS.
Nesse caso, os astronautas não entrarão na Starship.
O objetivo será exclusivamente validar a interação entre as duas espaçonaves, testar sistemas de comunicação, navegação e verificar como o conjunto responde às manobras em órbita.
A Starship utilizada nessa missão será baseada na Versão 3, atualmente em desenvolvimento pela SpaceX, e contará com um novo sistema de acoplamento instalado na parte frontal da nave.
Durante essa fase, será o software da própria Starship que assumirá o controle do conjunto acoplado, enquanto na operação com o Blue Moon esse papel ficará sob responsabilidade da Orion.
Os dados obtidos durante a Artemis III serão utilizados para aperfeiçoar as futuras missões de demonstração não tripuladas na Lua e reduzir riscos antes dos primeiros pousos com astronautas.
Nas missões lunares seguintes, o procedimento será diferente.
O módulo de pouso será lançado primeiro e permanecerá aguardando em órbita lunar. Posteriormente, a Orion levará a tripulação até esse encontro, permitindo que os astronautas embarquem no veículo de pouso para descer até a superfície da Lua.
Segundo a NASA, realizar toda essa sequência em órbita terrestre permitirá validar procedimentos críticos com muito mais segurança antes de repetir as mesmas operações a cerca de 384 mil quilômetros da Terra.
A agência destaca que a Artemis III será uma das missões mais complexas já realizadas, envolvendo três lançamentos independentes, múltiplos centros de controle, diferentes empresas comerciais e operações simultâneas entre várias espaçonaves.
Se todos os testes forem bem-sucedidos, a missão abrirá caminho para o primeiro pouso de astronautas na Lua desde a Apollo 17, ocorrido em 1972.
Sobre a Imagem: Estas ilustrações artísticas retratam o protótipo do sistema de pouso humano Blue Moon Mark 2, da Blue Origin, em órbita terrestre e acoplado à espaçonave Orion da NASA, como parte da futura missão de demonstração Artemis III em órbita baixa da Terra. Crédito da Imagem: NASA.
Fonte: https://www.nasa.gov/