Voyager 1 está prestes a alcançar a distância de um dia-luz da Terra

Lançada em 5 de setembro de 1977, a Voyager 1 já protagonizou alguns dos maiores feitos da exploração espacial. Foi a primeira espaçonave a visitar de perto Júpiter e Saturno, tornou-se o primeiro objeto construído pela humanidade a atravessar a heliosfera e entrar no espaço interestelar e, quase cinco décadas depois, continua enviando dados científicos para a Terra.

Agora, a missão está prestes a atingir outro marco simbólico que ajuda a colocar em perspectiva a verdadeira dimensão do Universo.

Segundo cálculos da NASA, em 18 de novembro de 2026, a Voyager 1 alcançará uma distância de aproximadamente 25,9 bilhões de quilômetros da Terra. Essa é a distância que a luz percorre em um único dia.

O dado impressiona justamente pelo contraste. Mesmo viajando a cerca de 61 mil quilômetros por hora desde 1977, a espaçonave precisará de quase 49 anos para percorrer uma distância que a luz atravessa em apenas 24 horas.

O marco também ilustra o enorme desafio das comunicações com a sonda. Como os sinais de rádio viajam à velocidade da luz, uma mensagem enviada da Terra leva aproximadamente um dia para chegar à Voyager 1. A resposta, por sua vez, demora outro dia para retornar, fazendo com que qualquer troca de informações leve cerca de dois dias.

Embora esse atraso pareça enorme, ele continuará aumentando à medida que a espaçonave se afasta do Sistema Solar.

A Voyager 1 e sua irmã gêmea, Voyager 2, permanecem como as únicas espaçonaves em operação no espaço interestelar, região localizada além da heliosfera, a gigantesca bolha criada pelo vento solar que envolve todo o Sistema Solar.

A missão foi planejada originalmente apenas para explorar Júpiter e Saturno, objetivos alcançados em 1979 e 1980. Como a espaçonave permaneceu em perfeito funcionamento após esses sobrevoos, a NASA decidiu estender sua missão indefinidamente, transformando a Voyager em uma das mais duradouras missões científicas da história.

Hoje, ela continua estudando o ambiente interestelar, medindo campos magnéticos, partículas carregadas e ondas de plasma em uma região jamais explorada diretamente por outra missão além da própria Voyager 2.

Entretanto, a missão se aproxima lentamente de seu encerramento. Alimentada por um gerador termoelétrico movido a plutônio, a espaçonave perde uma pequena quantidade de energia a cada ano. Para prolongar sua vida útil, a NASA vem desligando gradualmente seus instrumentos científicos e outros sistemas não essenciais.

Atualmente, permanecem ativos apenas o magnetômetro e o subsistema de ondas de plasma, responsáveis por investigar as características do espaço interestelar.

A expectativa da agência é que a Voyager 1 continue operando até o início da década de 2030, quando sua fonte de energia já não será suficiente para manter nenhum equipamento em funcionamento.

Mesmo após o silêncio definitivo, porém, sua jornada continuará.

A bordo da espaçonave permanece o famoso Disco de Ouro, uma cápsula do tempo criada para representar a humanidade. O disco reúne saudações em dezenas de idiomas, sons da natureza, músicas de diferentes culturas, imagens da Terra e informações científicas sobre nossa civilização.

Enquanto continuar sua viagem pela Via Láctea durante milhões de anos, a Voyager 1 levará consigo esse registro da humanidade, tornando-se talvez o objeto construído pelo ser humano que permanecerá ativo por mais tempo na história do universo.

Sobre a imagem:

Ilustração artística mostrando a Voyager 1 no espaço.

Créditos da imagem:

NASA/JPL-Caltech

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