Sonda chinesa chega ao asteroide Kamoʻoalewa para iniciar missão de coleta de amostras

A missão chinesa Tianwen-2 alcançou um importante marco na exploração do Sistema Solar. Após cerca de 400 dias de viagem e mais de 1 bilhão de quilômetros percorridos, a espaçonave chegou ao asteroide 469219 Kamoʻoalewa, onde dará início às operações que antecedem uma das missões de retorno de amostras mais desafiadoras já realizadas.

Lançada em maio de 2025, a Tianwen-2 realizou sua aproximação gradual do asteroide ao longo do mês de junho. Primeiro, permaneceu em uma órbita a cerca de 30 mil quilômetros do alvo. Dias depois, reduziu essa distância para 2 mil quilômetros e agora opera a apenas 20 quilômetros da superfície, de onde registrou as primeiras imagens de Kamoʻoalewa divulgadas pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA).

Embora pareça modesto, o objetivo da missão apresenta enormes desafios. Kamoʻoalewa possui apenas cerca de 27 metros de diâmetro, dimensões comparáveis ao comprimento de uma carreta. Sua gravidade é extremamente fraca, tornando qualquer aproximação ou coleta de material uma operação de alta precisão.

O pequeno corpo também desperta interesse por sua órbita incomum. Kamoʻoalewa é classificado como uma quase-lua da Terra. Isso significa que ele não orbita nosso planeta, mas o Sol. No entanto, sua trajetória é tão semelhante à da Terra que, ao longo do tempo, parece acompanhar nosso planeta, alternando períodos em que fica ligeiramente à frente ou atrás de sua órbita.

Sua origem, entretanto, permanece um mistério.

Durante alguns anos, análises espectroscópicas sugeriram que sua composição era semelhante à do regolito lunar, levantando a hipótese de que o objeto pudesse ter sido ejetado da Lua após um grande impacto, possivelmente relacionado à cratera Giordano Bruno.

Mais recentemente, outro estudo propôs uma explicação diferente. Segundo essa pesquisa, Kamoʻoalewa apresentaria características compatíveis com meteoritos do tipo condrito LL, indicando que ele pode ter se originado na família Flora, um conjunto de asteroides localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter.

As amostras que serão trazidas pela Tianwen-2 poderão finalmente resolver essa questão.

Enquanto isso, a espaçonave continuará mapeando detalhadamente a superfície do asteroide para selecionar o melhor local de coleta. A tentativa está prevista para ocorrer entre o fim de julho e o início de agosto.

A operação exigirá precisão extrema porque Kamoʻoalewa completa uma rotação em apenas 28 minutos, fazendo com que sua superfície esteja em constante movimento durante a aproximação da espaçonave.

Caso tudo ocorra conforme o planejado, a cápsula contendo as amostras deverá retornar à Terra no final de novembro de 2027, tornando-se a primeira missão chinesa a trazer material de um asteroide.

A jornada da Tianwen-2, porém, não terminará aí.

Após liberar a cápsula de retorno, a espaçonave utilizará sua trajetória para seguir rumo ao cometa 311P/Pan-STARRS, que deverá ser alcançado em 2035. Com isso, a missão passará a investigar dois tipos completamente diferentes de pequenos corpos do Sistema Solar, ampliando significativamente o conhecimento sobre a formação e a evolução desses objetos.

Sobre a imagem:

Primeira visão do asteroide Kamoʻoalewa a 20 km de distância. 

Créditos da imagem:
CNSA

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